Doce ingenuidade de Celly Campello, a bonequinha que seduziu a brotolândia

Redação Publicado em 17/03/2013, às 12h59

Celly Campelo
Reprodução

Por Cláudia Boëchat

Há dez anos perdemos, aos 61 anos, uma precursora do rock nacional, que despontou na MPB bem antes da Jovem Guarda. Celly Campello morreu em março de 2003, de câncer. Há tempos já estava afastada da carreira. Em 1962 deixou os palcos e as gravadoras e se casou com o contador José Eduardo Gomes Chacon, com quem namorava há cinco anos, desde os 14. Contudo, no período em que esteve na ativa, Celly fez história. Não havia baile no qual sua voz não reinasse absoluta, em meio a risinhos, olhares e sussurros...

A paulistana Célia Benelli Campello era uma artista precoce. Aos seis anos já se apresentava em uma rádio de Taubaté (SP), cidade onde cresceu; aos 12 tinha o seu próprio programa; e aos 15 lançou seu primeiro disco. Cantava muito com o irmão Tony Campello. Em 1959, quando ela estava com 17 anos, estourou nacionalmente com a versão brasileira de “Stupid Cupid”. Aí, foi um sucesso atrás do outro. Quando Elis Regina começou, tentou seguir o estilo de Celly, mas não rolou. A praia de Elis era outra e a MPB começava a valorizar sua própria criação. Até Raul Seixas cantou a versão de Fred Jorge para “Estúpido Cupido” – eternizada por Celly – no disco 30 Anos de Rock, lançado em 1973. Celly não aceitava ser excluída do rol de intérpretes de Música Popular Brasileira. Declarou que cantava em português versões compostas aqui (a maioria por Fred Jorge) e que o costume da época era valorizar os hits internacionais. De fato, ela marcou a história musical do país. A bonequinha seduziu a brotolândia.

Em 1976, a Globo apresentou a novela Estúpido Cupido e as músicas cantadas por Celly Campello voltaram a bombar nas rádios. Mas, nada era como dantes no quartel d’Abrantes...

Vamos relembrar alguns sucessos de Celly. Versões de canções estrangeiras que faziam muito sucesso no mundo todo e que eram permeadas por uma doce inocência.

“Estúpido Cupido” (Neil Sedaka e Howard Greenfield – versão: Fred Jorge):

“Banho de Lua” (Franco Migliacci e Bruno de Filippi – versão: Fred Jorge):

“Lacinhos Cor-de-Rosa” (M. Grant – versão: Fred Jorge):

“Broto Legal” (Barnhart – versão: Renato Corte Real) com Sergio Murilo:

"Túnel do Amor" (Patty Fisher e Bob Roberts – versão: Fred Jorge):

"Gostoso Mesmo é Namorar" (Heitor Carillo) com Tony Campello, George Freedman, Paulo Molin e Carlão:

Para falar com Cláudia Boëchat envie e-mail para claudia.boechat@rollingstone.com.br