Blog Sobe o Som

postado: 14 de Ago. de 2015 às 15:39

Los Porongas esquenta as turbinas para o terceiro disco e apresenta a música “Morrenasce”

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por Lucas Borges

Quando Diogo Soares sentou-se no estúdio da Rolling Stone, em São Paulo, durante uma tarde quente no ápice do verão de 2012, ele e seus companheiros do Los Porongas ainda eram quatro peixes do Acre fora d'água na maior cidade do Brasil.

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Quatro anos não foram suficientes para se sentirem em casa na loucura urbana, e essa angústia foi gravada em O Segundo Depois do Silêncio, segundo álbum do conjunto depois do autointitulado Los Porongas, eleito um dos 25 melhores discos nacionais de 2007 por essa mesma revista.

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O tempo passou, o vocalista Diogo se apaixonou, casou, desmontou o ninho em que ele morava com os “porongas” Carlos Gadelha (guitarra), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria), e na última quarta-feira, 12, a voz do grupo voltou a falar com a Rolling Stone, desta vez por telefone.

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“Já me sinto parte de São Paulo”, disse, de Rio Branco. “Esse é um sentimento muito comum aqui no Acre, gostar de ser de um lugar. Eu só aprendi a gostar de São Paulo por causa das relações de amor que se estabeleceram na cidade. São Paulo, na aspereza dela, é generosa com a gente por causa das pessoas que vão sonhar nessa cidade. A gente só conseguiu permanecer porque encontrou outras pessoas para sonhar junto com a gente, se não, já tinha ido embora”.

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É hora, portanto, de colher os frutos da boa relação com o solo paulistano por meio de um novo álbum, que já está pronto. A meta de R$ 30 mil angariados por financiamento coletivo está praticamente batida e deve ser superada com o apoio de parceiros convocados pela banda no Acre. Em outubro, as 11 faixas devem estar nos ouvidos do público, inclusive, ao vivo, em uma turnê.

“A gente sempre foi acostumado a fazer as coisas coletivamente, fazer shows gratuitos com os artistas do Acre, ocupar espaços públicos. E é muito legal estar vivendo isso dessa forma [por financiamento coletivo]. Caí de cabeça mesmo. Tem que servir para alguma coisa ter uma banda de rock hoje em dia, só tem sentido se você transforma. É bacana você ver que a arte está ajudando em um processo de pensamento crítico, de liberdade. É legal que as pessoas ficam mais tolerantes, se respeitam demais, estar fazendo um disco e achar que isso tem sentido além da minha ‘pavonice rock and roll’”, brinca Diogo.

“Esse é um disco que fala sobre ciclos, sobre o trabalho do amor, sobre morte e renascimento, sobre perdão. Praticamente todas as músicas falam sobre a relação entre as pessoas ou sobre saudade”. A primeira canção a ser divulgada é a intensa “Morrenasce”, exibida em primeira mão pelo Blog Sobe o Som: “Tenho um apego especial porque é a primeira música que apresentei para os outros ‘porongas’ e eles disseram: ‘Massa, pode ser uma música da banda’. Ela é muito literal, fala exatamente de, ‘Quem vai ficar para resistir, quem vai sair para não voltar’”.

Ouça:

Bruno Gouveia (vocalista do Biquíni Cavadão), Henrique Portugal (tecladista do Skank), Dado Villa-Lobos (ex-guitarrista do Legião Urbana), João Leão (baixista do Saulo Duarte e a Unidade) e Fernando TRZ (tecladista do Cérebro Eletrônico) participam do trabalho, que ainda não ganhou um nome.

A arte do álbum, criada pelo paulista Denis Diosanto – responsável também pela arte do single “Morrenasce”, vista na parte de cima da página –, espera Diogo, talvez ajude o Los Porongas a resumir a nova fase e a nova obra em palavras. “Estou pensando só agora nisso. Na verdade, acho que essa entrevista vai me ajudar a achar o nome do disco”, encerra o vocalista.