Edição 11 - Agosto de 2007

Admirável Paradoxo

Pitty grava DVD e experimenta novos formatos de distribuição
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por Tom Gregolin

O show está marcado para as 22h, a casa noturna em São Paulo acomoda 3 mil pessoas, e de qualquer ponto a visão do palco é no mínimo boa. Mas uma multidão afoita de adolescentes prefere entrar correndo uma hora antes, para garantir um lugar na frente. Eles são fãs e, vaidosos, querem aparecer no primeiro DVD da Pitty, que será gravado logo mais e tem data de lançamento prevista para o segundo semestre. Estranho notar que a última das rock stars brasileiras tem como base de sustentação uma geração avessa à logística que dá suporte aos blockbusters - comprar discos em vez de baixá-los, ingressos para shows em vez de assisti-los no YouTube. Mas é compreensível que a Deckdisc planeje o lançamento do material também em formato pen drive.

No camarim, Pitty e os integrantes de sua banda, Martin (guitarra), Joe (baixo) e Duda (bateria), escutam a abertura do portão. A cantora pára de se maquiar e traça com os olhos uma trajetória imaginária de acompanhamento do público da porta ao palco. "Parecem gritos de liberdade", filosofa. Eles conhecem o público que formaram em cinco anos de estrada. Pensando neles, foram desenhadas as ações para o show. Pitty teve a idéia de criar um site com informações sobre como chegar ao local, como se deslocar de outras cidades, onde se hospedar, "coisas que eu queria saber no tempo em que estava no lugar deles", justifica. O site funcionou como aquecimento. Nele foram colocadas duas músicas novas, gravadas em ensaios - "Pulsos" e "Malditos Cromossomos" -, para que os fãs as conhecessem previamente e pudessem interagir na hora da gravação. O que não fecha a conta, porém, é como a base de sustentação de vendagem e de comparecimento a shows de Pitty é justamente a fatia jovem, a quem se convencionou classificar como o fã que baixa músicas e não costuma se engajar em nada.

"É um belo paradoxo", concorda Pitty. "A real é que não se consome mais música como antigamente. E essa garotada que tem acesso à internet também faz questão de ter o produto original quando acha que vale a pena, o que pra mim é bem justo", analisa.

Na hora e meia seguinte, Martin fará pose de guitar hero, Joe balançará o penteado afro e Pitty vestirá uma cartola atirada pelo público, empunhará uma guitarra Gibson Flying V e protagonizará um stage diving, se jogando nos braços do público. Ela debutou na carreira solo com Admirável Chip Novo (2003), e chegou a 250 mil cópias. O disco seguinte, Anacrônico (2005), tangenciou, segundo a Deck, as 100 mil cópias, e foi seu maior sucesso, apesar da vendagem duas vezes e meia menor. Com o primeiro, levou duas estatuetas no VMB da MTV. Com o segundo, levou sete e estendeu turnê até Portugal (Rock in Rio Lisboa) e Japão. O Orkut contabiliza 991 comunidades dedicadas a Pitty, a maior delas com mais de 92 mil membros. A idéia do DVD é registrar o instantâneo de uma artista em alta. Por esse viés, a Deckdisc lançará primeiro em formatos CD e DVD, e um mês depois em dualdisc (mídia que de um lado é CD e do outro, DVD) e pen drive.

"Acreditamos nesses formatos, evita o pirata e tem bom resultado. A Pitty vendeu 20 mil em dual do Anacrônico. Isso é um número bastante considerável hoje", diz o produtor Rafael Ramos.

A baiana assina embaixo: "São os novos tempos, as novas formas de se comercializar música. Nunca tratei a internet como inimiga, e sim como aliada. A música não vai morrer nunca, sempre vão surgir novas opções".

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