Edição 18 - Março de 2008

Caubói do Metal

Astro de dupla sertaneja, Hudson lança disco solo de rock pesado
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por Renato Viliegas

Chapéu, bota de couro de cobra, um guizo de cascavel pendurado no pescoço e uma Gibson Les Paul na mão, de onde saem solos que lembram heróis da guitarra como Joe Satriani e Steve Vai. Essa é a nova imagem de Hudson Cadorini, mais conhecido pela dupla sertaneja que mantém há quase 20 anos com seu irmão Edson. Roqueiro desde pequeno e fã de nomes como Eddie Van Halen, Yngwie Malmsteen e Slash, além dos já citados Satriani e Vai, o músico acaba de lançar Turbination, seu primeiro trabalho solo - e o primeiro inteiramente focado no rock, trazendo 13 faixas (dez delas instrumentais) recheadas de solos virtuo-sos e guitarras pesadas.

O passeio pelo rock pode soar inapropriado para um integrante de dupla sertaneja, mas foi algo natural para Hudson. "Eu sempre ouvi e gostei de rock", conta. "Meu pai é fã de sertanejo, e eu e meu irmão formamos a dupla por influência dele. Adoro o que faço, sou fã de sertanejo, cresci ouvindo country... Mas minha veia sempre foi o rock'n'roll."

Aliás, o novo roqueiro se apressa em explicar que o tipo de som que faz com seu irmão é bem diferente do que muita gente pensa. "Quem estranha minha música é porque nunca foi a um show de Edson & Hudson. Nós não fazemos música caipira, moda de viola ou sertanejo regional, como muita gente imagina. Nós somos talvez a única dupla de country rock do Brasil", desabafa. De fato, todas as apresentações da dupla contam com um solo de guitarra de Hudson, nos quais, além de trechos de músicas do Pink Floyd e Joe Satriani, o guitarrista toca parte do material que acabou se tornando Turbination. "Foram dez anos juntando músicas", conta Hudson. "Eu sempre escrevi essas músicas para servirem de introdução aos shows da dupla, mas são coisas tão legais que eu achava um desperdício não colocar tudo em um disco", afirma, sem modéstia.

Quando sentiu que chegou a hora de entrar em estúdio, Hudson fez questão de deixar claro o estilo de seu novo trabalho: cuidou pessoalmente das guitarras, e chamou para a bateria e para o baixo os irmãos Ivan e Andrea Busic, da banda Dr. Sin. Quem também dá as caras é Andreas Kisser, do Sepultura, que assina os solos de duas faixas. "Fiquei até com medo de convidar o Andreas", ri o guitarrista. "Achei que ele nunca aceitaria, mas ele foi superbacana comigo, adorou o projeto. Em um ensaio, ele até começou a tocar "Menino da Porteira" com uma guitarra distorcida, ficou muito legal."

Pronto para levar Turbination aos palcos, Hudson não teme enfrentar problemas com um possível novo público: "Vai um monte de cabeludos nos shows de Edson & Hudson!", conta, sorrindo. "Tenho certeza de que em meus shows solo a platéia será bem variada. Vai ser um show pra quem gosta de rock, pra quem gosta de guitarra, e também pra quem gosta de Edson & Hudson, por que não?". Empolgado com o projeto, que considera um sonho realizado, Hudson pretende lançar um disco solo por ano, certo de que vai se dar bem em sua nova empreitada: "Eu nunca imaginei um dia aparecer em uma revista como a Rolling Stone", confidencia, sorridente. "Isso só me dá mais certeza de que o CD está no caminho certo".

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