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Sensação aos 15, Mallu Magalhães experimenta o doce sabor do sucesso

Márcio Cruz Publicado em 07/03/2008, às 16h30 - Atualizado em 20/03/2008, às 12h15

Mallu Magalhães em seu ateliê onde desenha e conserta instrumentos musicais

A bandeja do toca-CDs da lanchonete escolhida como local da entrevista já repetia o repertório pela segunda vez, quando Mallu Magalhães e seu empresário chegaram, meia hora atrasados. A conversa seria interrompida para que ela atendesse uma repórter de um jornal. "Desculpa", diz, com a voz infantil, após tentar interromper a ligação algumas vezes. "É o dia inteiro assim. Teve uma semana que foi punk, daí descobri que o celular tinha a função de atender três pessoas ao mesmo tempo...", desabafa, enquanto mexe o fundo do copo de milk-shake com o canudo.

A menina de 15 anos está no olho de um furacão chamado hype. Há pouco mais de um mês, a imprensa especializada só fala sobre - e com - Mallu Magalhães, uma adolescente paulistana que vive em uma casa confortável no bairro do Morumbi, onde além de compor, faz esculturas de papel machê, conserta instrumentos musicais e desenha em seu ateliê. Filha de um engenheiro e de uma paisagista, a garota de olhos vidrados é fã de Bob Dylan, Belle & Sebastian (os quais escuta todos os dias) e Vanguart (pelo menos uma vez por semana). O pai, Dudi Magalhães, incentivou a precoce carreira musical da filha. "Ele tocava para mim 'Leãozinho', do Caetano Veloso, 'Blackbird', dos Beatles e, quando a gente viajava, ouvíamos Neil Young", conta Mallu. Após estourar no MySpace (sua página acumulou centenas de milhares de visitas em um mês), sua rotina passou a incluir entrevistas, reuniões com gravadoras, participações em programas de TV, além das penosas tarefas escolares. "Quando você faz o que gosta, não faz por obrigação. Adoro correria. Pra mim, música é o que há, e é isso." Mallu gosta de terminar as frases com uma expressão definitiva. É assim também nos shows, quando emenda um "acabou" após cada final de música. O público delira.

Em setembro, quando Mallu passou pelas portas do estúdio Lucia no Céu para gravar quatro faixas - "Tchubaruba", "Don't You Leave Me", "J1" e "Get to Denmark" - ela acabava de se encaixar despretensiosamente em um nicho promissor: o anti-folk, a mistura do folk com outras vertentes musicais, explorado por cantoras como Feist, Kate Nash, Cat Power e Regina Spektor. Jorge Moreira, um dos sócios do estúdio, enxergou potencial nas composições e decidiu produzir a gravação, inclusive tocando alguns dos instrumentos.

Mallu tocou suas músicas pela primeira vez em público três meses após a gravação. A oportunidade surgiu por acaso. Durante uma festa na casa da avó de seu melhor amigo, a garota consertou um violão quebrado. Em seguida, foi convidada a tocar algumas músicas ali mesmo. Ao fim do improviso, uma prima do amigo sugeriu que Mallu fosse apresentada a Indaiara Moyano, produtora de shows do Vanguart.

Só faltava uma banda. "Eu comecei a confiar muito no pessoal do estúdio", conta Mallu. "Eles cuidavam do som, faziam tudo. Quando apareceu o primeiro show [no clube Clash, em São Paulo, abrindo para o Vanguart], para quem eu iria pedir uma banda?". Além de Mallu nos vocais e violão e Jorge na bateria, completam o grupo o guitarrista Kadu Abecassis, o baixista Thiago Consorti e o pianista Mario Patrício.

No palco, a febre pela garota se justifica. Insegura, porém bem-humorada, Mallu canta melodias relaxantes com graça e afinação. Espontânea, não usa repertório e decide o que tocar na hora, com a ajuda da banda. "E agora, Kadu?", pergunta. "Você é quem decide, você é a líder da banda", o guitarrista responde. A festa de Mallu está só começando.