Edição 02 - Novembro de 2006

Cabaret

Quando rock e teatro se encontram
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por Lia Amâncio

O Cabaret existe desde 2004, mas Marvel (voz), Peter Glitter (guitarra), Myself Deluxe (baixo) e Sid Licious (bateria) já tocam juntos desde 2002, com o Glamourama. Da experiência, os cariocas herdaram o público, os nomes e parte do repertório - só largaram o excesso de glitter. O excesso, que fique claro.

"O que me levou ao glam foi uma vontade de fazer um show divertido, preso a poucas amarras e teatral ao extremo. Gosto de estar no palco e assumir um personagem. Mais do que um gênero, o glam é uma abordagem de palco e temáticas", diz o vocalista Marvel, que sabe do que está falando: moleque, estudou balé clássico e canto lírico; aos 14 anos, queria ser tenor de ópera; em 1998, cantou sozinho em um tributo a Renato Russo na praia do Arpoador. "Uma vez que você está diante de 20 mil pessoas, não vai querer isso uma só vez na vida. Ali, eu viciei."

Com o Cabaret, Marvel provavelmente repetirá a dose. Os shows, antes lotados apenas pelos amigos e famílias, conquistam de fãs de hard rock a indies e quem mais passar pela frente - é difícil resistir ao som que agrega influências de Queen a Elton John e resulta em um empolgante rock'n'roll. Nem Cauby Peixoto resistiu. "Fui vê-lo num show em São Paulo e convenci sua assessora a marcar um encontro para eu mostrar a música ["O Amor e a Guerra", disponível no site da banda]. Ele adorou, e a gente ensaiou duas vezes. Ele dizia para a assessora: 'Nancy, isso é comercial, Nancy...'", lembra Marvel. "Batemos altos papos, mas acabou não rolando por causa da agenda dele."

O próximo passo dos "últimos heterossexuais sensíveis do Rio de Janeiro" é o disco Cabaret, produzido por Carlos Trilha e que sai pela independente Rastropop no dia 1º de dezembro. "A gente quer competir com Roberto Carlos", diz Marvel. Quem já viu seu show pode afirmar: esta competição será acirrada.

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