Edição 30 - Março de 2009

Os últimos dias de Buddy Holly

Cinquenta anos depois da morte do pioneiro do rock em um acidente de avião, amigos e fãs recordam suas derradeiras performances
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por Jonathan Cott

Ela ficaria para a história como a "Tour from Hell": a Winter Dance Party de 1959 que ocorreu exatamente 50 invernos atrás, em fevereiro. Enquanto o ônibus escolar amarelo de uma igreja batista, convertido em veículo de turnê, ia deslizando em temperaturas subárticas pelas estradas cobertas de gelo do norte do Meio-Oeste norte-americano, uma dúzia de músicos tremia de frio e fazia as horas passarem encolhidos embaixo de cobertores, contando histórias e fazendo música juntos. Entre os passageiros, estavam Buddy Holly, o rapaz de 22 anos que era uma das luzes radiantes do rock & roll da década de 1950, de Lubbock (Texas); Ritchie Valens, de 17 anos, um dos precursores do movimento do rock chicano, de San Fernando Valley (Califórnia); Dion DiMucci (mais conhecido como Dion), com19 anos, e os Belmonts - que logo seriam alçados ao topo das paradas com "A Teenager in Love" - do Bronx (Nova York); e o ancião do grupo, J.P. "The Big Bopper" Richardson, 28 anos, um DJ de rádio que,em 1957, tinha quebrado o recorde de maior permanência contínua no ar (cinco dias, duas horas e oito minutos, durante os quais tocou 1.821 discos e aproveitou informes de notícias de cinco minutos para tomar banho) e cuja canção-assinatura, "Chantilly Lace", tinha se tornado sucesso recente do Top 10.

Os músicos tinham dado início à turnê que duraria três semana sem 23 de janeiro, no salão de baile Million Dollar, em Milwaukee - as apresentações de uma única noite em cada lugar eram puxadas e o roteiro incluía muito vaivém pelos estados do Wisconsin, do Minnesota e do Iowa a bordo de uma série de ônibus caindo aos pedaços que viviam quebrando. Nas primeiras horas do domingo, dia 1º de fevereiro, eles estavam percorrendo a Highway 51 em uma viagem de quase500 quilômetros até Appleton, em Wisconsin, vindos de Duluth, em Minnesota, onde tinham tocado, na noite anterior, para um público que contava comum certo Bobby Zimmerman, um garoto de 17 anos que era aluno do último ano do ensino médio em Hibbing, Minnesota. Foi um show que nunca lhe fugiu da mente (ele, mais tarde, já conhecido como Bob Dylan, observaria que parecia "haver uma auréola ao redor da cabeça de Buddy").

O salão de baile Surf, em Clear Lake (Iowa) - uma cidadezinha de cerca de 8 mil habitantes - tinha sido inaugurado em 1934. A estrutura de um piso só, com jeitão de hangar, parecia ter se materializado de uma fotografia de Stephen Shore, de sua série de atrações de beira de estrada típicas dos Estados Unidos que ele chamou, com certo sarcasmo, de "Lugares Incomuns". Lá dentro, nuvens são projetadas no teto abobadado pintado de azul e palmeiras falsas ladeiam o palco, com a intenção de simular a atmosfera de um clube de praia dos mares do sul.

Fazia 28 ºC abaixo de zero na manhã em que os músicos da Winter Dance Party embarcaram em mais um ônibus em Green Bay, no Wisconsin, para a viagem de 550 quilômetros até Clear Lake. Mas,quando estavam perto de Prairie du Chien, os aquecedores,como se tivessem escolhido o momento exato, falharam mais uma vez e precisaram ser consertados. Eles chegaram ao salão de baile em cima da hora para a apresentação marcada para as 20h,para uma plateia de mais de 1.200 adolescentes que tinham pago US$ 1,25 para assistir ao show.

E os músicos estavam vestidos para matar. Ao longo de toda a turnê, Big Bopper usou um chapéu Stetsone um sobre tudo de oncinha. Valens usava camisa azul de cetim, um bolero preto e calça de vaqueiro. E Buddy e sua banda apareciam de paletó preto, calça social cinza e gravatinha. No salão de baile, naquela noite, eles apresentaram seus sucessos e, para o encerramento, todos subiram ao palco para tocar uma sequência que incluiu "Brown Eyed Handsome Man", "La Bamba" e "Great Balls of Fire".

Na viagem de ônibus até Clear Lake, Buddy Holly resolveu que estava farto da estrada. Fazia dias que os rapazes não conseguiam lavar roupa. E ele imaginou uma cama confortável e uma boa noite de sono se pudesse pegar um avião depois do show no salão de baile Surf para ir até Fargo,em Dakota do Norte, que se separava de Moorhead apenas pelo rio Red - o próximo destino deles, cerca de 650 quilômetros a noroeste de Clear Lake.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 30, março/2009

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