Edição 30 - Março de 2009

Tudo em Casa

Dois em um injeta bossa nova no indie pop melancólico
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Tudo em Casa
Marina Novelli
por Por Filipe Albuquerque

Dois "sim" em um cartório em Copacabana estabeleceram o início de uma parceria que transcendeu a afetividade. Da erudição de Fernanda Monteiro às referências do punk ao noise de Luisão Pereira, a bossa nova e o indie formaram as bases do duo Dois em Um. Gerado nasala do casal, em Salvador, o que era para ser um punhado de canções a serem mostradas aos amigos surge como promessa do pop independente nacional.

Nasceu em 2008 o fruto da união entre o ex-guitarrista da extinta banda Penélope e a violoncelista criada em orquestra e que acompanhou Maria Bethânia e Gal Costa. Entre as características do projeto, traços de bossa nova a Nara Leão e família Caymmi misturados com Stereolab, Portishead e melancolia. Batizado de Dois em Um,virou disco, lançado pelo selo Midsummer Madness.

"Fernanda é uma das pessoas que mais conhecem música indie", aponta Luisão, o marido orgulhoso. "Quando era pequena, ela queria aprender violoncelo para tocar com o Smashing Pumpkins." Já ele, apesar da adolescência punk, foi batizado em referências brasileiras pelo tio Ederaldo Gentil, sambista baiano gravado por Jair Rodrigues, Alcione e Clara Nunes. Além disso, Luisão nasceu e cresceu em Juazeiro (BA), mesma cidade de origem do pai da bossa nova João Gilberto.

As primeiras músicas lançadas no MySpace levantaram as orelhas do selo norte-americano Souvenir. Maroto, Luisão teve que se virar quando a gravadora solicitou o disco para distribuir nos Estados Unidos. "Eu disse a eles que iria demorar em remixar as músicas, mas era mentira", ri ao lembrar que na época só tinha cinco canções. O prazo solicitado para o "remix" foi tempo suficiente para escrever outras seis faixas, fechando os 11 títulos do álbum.

A soma de erudição, samba-bossa e ambiências pop tem corrido o país. Mas até agora foram apenas quatro shows, todos em Salvador. No palco, Luisão pilota guitarra, notebook, pedaleira e teclado, enquanto Fernanda empunha o violoncelo e assume a maioria dos vocais "No começo, não conseguia gostar da minha voz", ela admite. "Gosto da Nara Leão cantando, do Chet Baker, do João Gilberto. Tudo bem que só estou citando monstros, mas acho que é por aí."

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