Edição 32 - Maio de 2009

MONDOMASSARI

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MONDOMASSARI
por Por Fábio Massari

Jon Larsen - The Jimmy Carl Black Story
(Hot Club Records)

Segunda parte de uma suposta trilogia espacial/marciana, The Jimmy Carl Black Story apresenta, em clave parajazzística, uma odisséia consideravelmente surrealista pelas quebradas do planeta vermelho. Contatos imediatos incluídos. Projeto de apelo existencial do guitarrista virtuoso e doidão norueguês Jon Larsen, este segundo registro tem o eterno "indian of the group" (era assim que Jimmy Carl Black se anunciava emblematicamente na época áurea dos Mothers of Invention, de Frank Zappa) como tema, e como narrador fantasma de si mesmo! Menos experimentador e estranho que o antecessor, Strange News from Mars, não poderia haver tributo mais bacana ao cultuado músico texano, morto 5 dias depois de seu lançamento. Jon Larsen e sua superbanda (Tommy Mars é convidado especial nos teclados) ancoram a divertida narrativa numa daquelas fusões da pesada que podem agradar tanto aos amantes do Zappa fase Roxy & Elsewhere quanto aos que se deleitam com as divagações sônico-esotéricas do bom e velho Sun Ra. O índio do grupo vive lá no espaço sideral, provavelmente cruzando vez ou outra com o asteróide 3834 Zappafrank

Radarmaker -Drawn Like Spires
(Independente)

Estranhas emissões captadas de Perth, Austrália. Wendi Graham e comparsas de Radarmaker sinalizando com experiências pós-shoegazers e intenções psicodélicas de acidez minimalista. Curiosamente, tudo começou em 2001 como "projeto" do tipo folk sem compromisso, mas o novo caminho já se anunciava no EP de estreia, Aristocracy and the Horse. No debute em longa duração, Drawn Like Spires, a confirmação da vocação viajante do quarteto. Turnês com Múm e Explosions in the Sky e a promessa de que o próximo disco, que deve, deveria sair neste ano, será uma pequena obra-prima. É esperar para ouvir.

Hey Colossus - Happy Birthday
(Riot Season)

Se depender do sexteto de "south fucking London", eles continuam como segredo bem guardado do novo metal britânico (considerado aqui em suas instâncias mais extremas e pouco ortodoxas formalmente) e que se dane todo mundo. Happy Birthday chega com a chancela da perigosa etiqueta Riot Season e provoca consideráveis estragos. "War Crows" e "Are Coming to Kill You All", por exemplo, promovem verdadeiro ataque aos sentidos, com seus infinitos muros (murros?) de feedback, rifferama acachapante de apelo doom e vocais rasgados e venenosos. Se o seu gosto é o das fortes emoções, do tipo Neurosis, Eyehategod, Minsk e Fudge Tunnel, pode ir tranquilo. Do contrário...