Edição 37 - Outubro de 2009

Nº 4 - Asa Branca

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por Por Assis Angelo

Luiz Gonzaga
© Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira

O repentista Oliveira de Panelas certa vez escreveu: "Foi voando nas asas da Asa Branca/Que Gonzaga escreveu sua história". A canção "Asa Branca" desperta inúmeras reações. A composição tem mais de 50 anos de existência, mas por causa de sua atualidade até hoje se encontra presente no imaginário do povo brasileiro. Para compor a bonita toada, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira tiveram por base versos que circulavam na Serra da Borborema, Pernambuco. E em outros, que também rolavam de boca em boca nos fins de Pernambuco e Ceará. A asa-branca, como a rolinha e a juriti, pode ser encontrada nos cerrados, nas caatingas e nas florestas brasileiras. Ela simboliza paz, saudade e exílio. Mas a evocativa letra da canção fala da seca, das tristes condições da vida do sertanejo. A asa-branca entra como metáfora. A ave bate asas para achar uma vida melhor e o protagonista da canção faz o mesmo. Mas ele promete a seu amor que um dia vai voltar, quando a chuva cair de novo. Sua esperança é que tudo vai fi car verde de novo, exatamente da mesma cor dos olhos de sua amada. Parte dessa cantiga foi feita numa tarde de agosto de 1945, no Rio de Janeiro, mas ela só seria gravada pelo Rei do Baião no dia 3 de março de 1947, nos estúdios da RCA Victor. Gonzaga ajudou a popularizar a melodia com sua aparição no filme O Mundo É um Pandeiro. Já são mais de 300 versões: à capela, por duplas, trios, quartetos, bandas, orquestras em ritmos que vão de choro a rock. Caetano Veloso, saudoso das coisas brasileiras, gravou a obra de Gonzaga e Teixeira em Londres, em 1971. Raul Seixas a juntou com "Blue Moon of Kentucky", de Elvis Presley. A melodia de "Asa Branca" também conquistou os artistas estrangeiros. Mas nenhuma interpretação bate a do velho Lua, que a continuou cantando até sua morte em 1989.

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