Edição 37 - Outubro de 2009

Nº 5 - Mas Que Nada

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por Por Zeca Azevedo

Jorge Ben
© Jorge Ben

Seu time perdeu mais uma no brasileirão? O dinheiro do mês acabou e hoje é dia 12? Mas que nada! Você precisa de um samba legal pra ficar animado. Não pode ser qualquer samba, tem que ser especial. Mas tem um samba diferente, misto de maracatu. Foi lançado em 1963 e ainda soa fresquinho. O nome dele é "Mas Que Nada". Talvez você conheça a gravação do Sergio Mendes com os Black Eyed Peas de 2006, que não é tão boa quanto a feita pelo próprio Sergio Mendes 40 anos antes. Melhor esquecer as versões e ir para o original. "Mas Que Nada" foi o primeiro hit do cara que se tornou uma verdadeira escola dentro da nossa música popular, Jorge Ben (mais tarde, Jorge Ben Jor). Nascido em 1942 em Madureira, no Rio, Jorge Duílio Lima Menezes já tocava rock e bossa nova em suas primeiras apresentações como músico, demonstrando desde cedo possuir vocação para o ecletismo, que, algum tempo depois, valeria a ele livre trânsito pelas cidadelas da MPB, da jovem guarda e da tropicália. A gravação de "Mas Que Nada", faixa de abertura do LP Samba Esquema Novo, sucesso acachapante em 1963, contou com o exuberante acompanhamento instrumental do grupo Meirelles e os Copa 5 e revelou o virtuosismo do violonista Jorge Ben, dono de uma batida meio R&B, com precisão rítmica capaz de deixar João Gilberto roxo de inveja. A canção também trocou o beletrismo pedante das letras de muitos sambas da época pela "poesia pura e simples do brasileiro autêntico" (palavras de Armando Pittigliani, produtor de Samba Esquema Novo, registradas na contracapa do LP) que caracteriza a obra de Jorge Ben. "Mas Que Nada" foi o pontapé inicial da arte do Babulina, com sua preciosa combinação de samba com rock, pop, jazz, funk e, claro, maracatu. O catálogo de Jorge Ben é recheado de verdadeiros monumentos, obras indestrutíveis cheias de ritmo e balanço. E tudo começou aqui.

Ouça aqui.

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