Edição 37 - Outubro de 2009

Nº 8 - Detalhes

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por Por Marcus Preto

Roberto Carlos
© Roberto Carlos/Erasmo Carlos

"Não adianta nem tentar me esquecer." Vinicius de Moraes bem que tentou, mas, ao menos em seu trabalho como letrista, nunca conseguiu chegar à assombrosa concisão poética do primeiro verso de "Detalhes". Nem os Beatles. Em apenas seis palavras, Roberto e Erasmo souberam condensar brilhantemente o que seria desenrolado nas seis estrofes da obra-prima dos dois: um complexo emocional em que se misturam saudade, certa dor-de-corno, algum desejo de vingança, muito amor mal cicatrizado. Como é comum no trabalho da dupla, a linguagem direta e coloquial estreita afinidades entre o ouvinte e o personagem da canção. Aqui ele é, de novo, o homem comum, como eu ou você. Fala um "português ruim" e veste uma "velha calça desbotada ou coisa assim". Mas, até por isso tudo, é o cara que a tal ex-amada amante, mesmo já estando em outra, não vai conseguir esquecer tão cedo. "Detalhes" foi escrita pelos dois parceiros na sala da casa de Roberto - que, em 1971, ainda morava no Morumbi, em São Paulo. Como na ocasião já estava casadíssimo com Nice, sua primeira mulher, ele nunca deu um nome à musa de "Detalhes". Mas, segundo consta, ela pode ter sido Magda Fonseca, sua namorada anterior. Teria sido ela, portanto, a culpada por fermentar na cabeça dos dois as imagens inacreditáveis destes versos, que estão entre os mais lindos da história da canção, em qualquer dos cinco continentes: "À noite, envolvida no silêncio do seu quarto/ Antes de dormir você procura o meu retrato/ Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri/ Mas você vê o meu sorriso mesmo assim". Que sortuda é essa Magda.

Ouça aqui.

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