The Wall ressurge em Turnê Gigantesca

Roger Waters leva o épico do Pink Floyd para os palcos, sem a companhia e David Gilmour

Por Austin Scaggs Publicado em 17/08/2010, às 05h35

<b>SOZINHO COM OS HITS</b> Depois de <i>Dark Side of the Moon</i>, Waters leva The Wall, outro clássico do <i>Pink Floyd</i>, para a estrada
Adrian Buss

Em uma tarde ensolarada e Roger Waters está sentado atrás de um gigantesco monitor de computador em um estúdio de produção, examinando diagramas de palcos e trechos de animações digitais para sua turnê mais ambiciosa em décadas: The Wall, baseada no lendário álbum duplo do Pink Floyd, lançado em 1979, que chegará às arenas norte-americanas em 15 de setembro, em Toronto. Enquanto a animação de um porco surge na tela, Waters ri e diz: "Esse sou eu por dentro!"

Foi o sucesso de sua última turnê que o inspirou a a bordar o clássico: entre 2006 e 2008, ele tocou Dark Side of the Moon 118 vezes, pelo mundo todo, arrecadando mais de R$ 60 milhões só nos Estados Unidos. "A turnê de Dark Side foi muito agradável", diz o baixista e vocalista de 66 anos. "Estive pensando e acho que tenho mais uma turnê grande dentro de mim- e o óbvio a fazer era outra magnum opus."

Waters entrou em contato com o guitarrista e vocalista do Pink Floyd, David Gilmour,mas,após anos de animosidades, ele não se interessou. "Convida- mos David, ele disse não e ficou por isso mesmo", diz Waters. Sua nova banda tem um vocalista de estúdio de Los Angeles chamado Robbie Wyckoff, que faz as partes de Gilmour. "Ele canta em uma amplitude vocal semelhante à de David, que é algo importante nestas músicas icônicas", explica Waters. " Vejo The Wa ll e Dark Side como obras quase clássicas. Gosto de mantê-las consistentes com o modo como foram gravadas originalmente."

A turnê original de The Wall, em 1980 e 1981, passou apenas por Nova York, Londres, Los Angeles e Dortmund, na Alemanha - e foi tão cara que, segundo Roger Waters, a banda teve um prejuízo de R$ 600 mil. Para a turnê atual, o músico trouxe de volta o ilustrador original, Gerard Scarfe, e o designer de produção Mark Fisher para ajudá-lo a atualizar a tecnologia de palco. "Vamos construir a parede", diz Waters, referindo-se à gigantesca parede que é erguida e derrubada durante o show. "Há 30 anos, tínhamos três projetores velhos de 35 milímetros. Mas agora temos telas de 106 por 10 metros." Fisher complementa: " Nunca houve um lançamento em DVD ou filme da turnê original, por isso ela é mítica".

Desde que foram colocados à venda, em abril, os ingressos para a turnê The Wall venderam tão rápido que a promotora Live Nation adicionou mais doze datas, completando um total de 48 shows, com ingressos que vão de US$ 45 a 250. Ron Delsener, presidente da divisão nova-iorquina da Live Nation, diz que os ingressos "evaporaram. Os fãs viram o que foi feito com Dark Side of the Moon - é muito poderoso".

O LP duplo de 1979, que vendeu mais de 23 milhões de cópias nos Estados Unidos, é um álbum conceitual e autobiográfico que acompanha a carreira de um rock star chamado Pink, de sua infância conturbada aos anos de excesso, culminando com um colapso nervoso. "Eu era uma pessoa assustada e agressiva na época, e esse medo fez com que eu me distanciasse das outras pessoas", conta Waters. "Nos últimos dez anos, me abri muito mais, e sou muito mais feliz por isso."

Embora o disco não tenha mais relação com os sentimentos íntimos do ex-Pink Floyd, ele acredita que as mensagens em músicas como "Comfortably Numb" e "Mother" têm um apelo atemporal. "Percebi que elas carregam uma mensagem mais ampla do que a história de quem eu era naquela época. Hoje vejo o medo em um sentido mais amplo: controlando nações, religiões e governos. Por isso acho que, dentro do contexto dessa velha narrativa, há uma chance de explorar algumas daquelas ideias."