Edição 106 - Junho de 2015

Dani Calabresa

Depois da experiência no CQC, Dani Calabresa comprova que gosta mesmo é de ser atriz
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Dani Calabresa
Globo/Estevam Avellar
por Stella Rodrigues

Como em uma versão torta das histórias de princesa que ela tanto ama, Dani Calabresa realizou o sonho de infância de se ver na tela da Globo. E, o melhor, nos próprios termos, e depois de ter sido cortejada por algum tempo por esse “príncipe” que acaba de se tornar cinquentão. “Sempre quis trabalhar lá. Via novela quando era criança – Vamp, Que Rei Sou Eu? – e parecia um sonho distante para uma jovem de Santo André.” Dani entrou para o elenco do novo Zorra, que integra uma tentativa de reformulação do tipo humor feito na emissora. O canal deixou de lado algumas amarras para fazer graça de forma menos engessada (e, assim, mais engraçada).

A Globo te sonda faz tempo. Por que aceitou agora?
Quando eles fizeram a primeira proposta, fiquei lisonjeada, mas estava muito feliz na MTV, me identificava com o que fazia lá. Agora, olhando o que o Marcius Melhem e o [marido dela, Marcelo] Adnet fazem no Tá no Ar: a TV na TV, ficava pensando que queria estar naquele esquete, gostaria de fazer parte daquele elenco. Quando o Melhem falou que o Zorra faria algo parecido, foi isso: vambora! O programa está muito divertido, parecido com o que a gente fazia no Comédia MTV, com clipe musical e piada com outros canais. Na época, sentimos que só nós poderíamos fazer isso, a Globo não tinha isso. Agora, abriram essa porteira maravilhosa.

Mudou muito a vida por estar na Globo?
Dá um medinho. “Meu Deus, 20 pontos de Ibope!” Lascou-se, vou ter que comprar uma peruca!

Essa reformulação levantou uma questão velha sobre humor “popular” versus “refinado”. Como você se posiciona quanto a isso?
Depende da piada, do personagem, do esquete. No mesmo programa, posso rir de dois esquetes, mas não me identificar com outros dois. E aí um amigo chora de rir desses outros. Às vezes você conhece alguém parecido, viveu algo assim e ri por isso. Não existe humor universal.

Você e o Adnet olham os roteiros juntos?
Sempre trocamos figurinha. Batemos texto junto e ele às vezes lê de um jeito que eu não tinha pensado. Trocamos muitas mensagens no WhatsApp sobre direção, nos damos bem trabalhando e temos vontade de realizar outros projetos juntos.

Quando vão descansar, fogem da TV para não cair no trabalho de novo?
Assistimos tudo com intenção de descansar. Naturalmente, alguma coisa boa te inspira. Até vendo Breaking Bad, que não tem nada a ver! “Olha esse ator, olha a virada desse personagem.” Estamos amando House of Cards. E Better Call Saul! Ah, RuPaul’s Drag Race é o programa mais maravilhoso do mundo! Eu choro desesperada quando alguma drag que eu amo é eliminada. É o melhor reality, elas são talentosas, não ficam na piscina o dia todo com o biquíni enfiado na bunda.

Mesmo fora do stand-up, seu cotidiano continua sendo a maior referência?
Sim. Tenho bronquite desde os 3 anos, ia para o hospital de madrugada e lá aconteciam coisas engraçadas. Eu ia para a escola e contava essas coisas, tipo o médico trocando minha ficha, e as pessoas davam risada. Se não era o médico, era algo sobre o porteiro do prédio. Fui construindo uma personalidade divertida a partir da minha história.

Agora que tem algum distanciamento, como avalia sua passagem pelo CQC?
Foi muito boa para mim. Eu amava a MTV, mas a audiência era muito baixa, fazíamos coisas ótimas e pouca gente via. A Band me dava toda a liberdade para fazer qualquer pauta maluca. Mas fui sentindo falta de atuar, aí que deu o estalo de que queria ser atriz mesmo. Fiz três filmes enquanto estava lá.

Fã da Pequena Sereia a ponto de achar Marcelo Adnet parecido com o príncipe, Dani Calabresa emerge do fundo do mar televisivo para a delícia e os perigos da TV em rede nacional.

No perfil sobre você que a Rolling Stone publicou em 2013 ficou clara sua paixão pela Disney. Ela continua?
Muito! Eu amo a Disney, tinha vontade de ser desenhista. Walt Disney é meu ídolo! Queria também fazer uma comédia musical. Amo musical, sou muito bicha.

Um filão popular na literatura, especialmente lá fora, é o das comediantes (Tina Fey, Amy Poehler, Lena Dunham) lançando ótimos livros de ensaios. Você pensa em enveredar por aí?
Já pensei. Estava separando textos de stand-up para um show solo, mas comecei a viajar tanto que desisti. Aí quis colocar em um livro. Tenho esse sonho, mas a gente acaba nocauteado por compromisso, ponte aérea e gravação.

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