Edição 107 - Julho de 2015

Romário

Para o ex-jogador, o escândalo de corrupção na Fifa ainda resultará em muitas prisões
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Romário
Murillo Meirelles
por Lucas Borges

Quando o mundo acordou na manhã de 27 de maio de 2015 com a notícia de que sete executivos da Fifa haviam sido presos, na Suíça, o comentário geral foi “Eu avisei...”. Segundo a investigação liderada pelo FBI, entre os participantes de uma rede de corrupção que teria movimentado até US$ 150 milhões em 24 anos está José Maria Marin,ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), também detido na operação.

Um dos que alertam há tempos sobre a podridão que carcome os gramados é Romário. A língua afiada da época de goleador seguiu viva na Câmara dos Deputados, em Brasília, para a qual o “Baixinho” foi eleito em 2010, com 146.859 votos, e, desde 2015, o acompanha no Senado, casa para a qual foi escolhido por 63,43% dos votantes do estado do Rio de Janeiro. Naquele mesmo 27 de maio, o campeão da Copa de 1994 comemorou, em audiência na capital federal, a detenção de Marin e, ainda, direcionou sua artilharia pesada ao atual mandatário da CBF, Marco Polo Del Nero, chamado por Romário de “safado, ladrão e ordinário”. Curiosamente, Del Nero ganhou R$ 20 mil de Romário em 2014 por danos morais, após ter ouvido do desafeto que ele e Marin “tinham que estar na cadeia”.

O senador acredita que os próximos capítulos do “FIFAgate” trarão ares frescos ao esporte no Brasil.

As notícias da prisão dos dirigentes na Suíça são um Romário presságio de uma nova era para o futebol?

Eu acredito e tenho fé de que é o surgimento de uma nova era no futebol mundial e, automaticamente, no Brasil. O que a gente tem de positivo depois disso? Nossa polícia federal já começou a investigar e achar coisas, já tem muito material no ministério público. O presidente atual [Del Nero], que é um bandido, ladrão, está próximo de pedir demissão, pelo que ouvi. Ele também já está articulando para que aqueles que fiquem sejam seus braços e tentáculos dentro da CBF, mas só a saída dele já seria positiva. E tem também aquilo que é o que de mais importante pode acontecer, neste momento: a abertura da CPI do Futebol, que está para sair e da qual espero ser relator [até o fechamento desta edição, a CPI não havia sido iniciada].

Por que o Del Nero não foi preso com os demais?

Eu acredito muito que a investigação ainda não terminou. Tanto lá fora, através do FBI, como na Suíça e com a nossa própria polícia mesmo. Mas ele está próximo [de ser preso]. Eu espero

O Joseph Blatter (presidenteda Fifa) e o Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF) também?

O Blatter também, o Ricardo Teixeira com certeza. Posso quase afirmar que vai sobrar para todos eles. Isso serve para muitos que estão dentro do futebol para enriquecer e não como uma possibilidade de ajuda social para as pessoas.

Quando um jogador vai assumir os rumos do futebol brasileiro?

Eu já conversei com Leonardo, Zico, Ronaldo, Ricardo Rocha, Branco, Carlos Alberto Torres. Com o Pelé tentei falar e não consegui. Estou pensando em fazer um encontro para ver no que podemos ajudar daqui em diante como ex-jogadores, estrelas e ídolos. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é uma instituição que, para mim,
também é corrupta, mas o que tem de bom, pelo menos? Você vê no COB muitos ex-atletas participando da administração, ex-atletas que se prepararam para assumir esses cargos. Na CBF você não vê nenhumfazendo nada. No máximo tem um treinador, como Dunga. Agora entrou o Gilmar [Rinald], gerente de futebol, que só convoca jogadores que estão dentro daquele grupo de empresários do conluio deles.

Que nome você indicaria para presidir a CBF, se tivesse que escolher um?

Para falar a verdade, hoje não tenho um nome para indicar. Mas posso afirmar que tem, sim, ex-jogador capaz de assumir um cargo como esse.

Desde o 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais da Copa de 2014, de quanto o Brasil e o futebol brasileiro
perdendo fora de campo?

O mundo deve estar com uns 100 e o Brasil está com zero. Depois de uma porrada daquela e pelos resultados negativos de suborno, roubo, enriquecimento ilícito e corrupção que tivemos da experiência da Copa, infelizmente nada mudou. Continuam roubando e enriquecendo ilicitamente, enquanto o futebol segue nesta merda que a gente vê.