Edição 109 - Setembro de 2015

Identidade Única

Josh Tillman mudou de nome para compor os discos mais íntimos da carreira
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Identidade Única
por Lucas Breda

Josh tillman se cansou das canções presentes nos seis álbuns que lançou entre 2003 e 2010. Quando voltou a compor por conta própria, em 2012 – após quatro anos como baterista da banda Fleet Foxes –, ele decidiu deixar o trabalho anterior para trás. “Comecei a compor sob uma perspectiva mais conectada com o que vejo no dia a dia”, detalha Tillman. Para isso, passou a assinar pro?ssionalmente como Father John Misty, nome que, segundo ele, “não representa uma persona”. “Só estou brincando com a ideia de que qualquer um que sobe ao palco torna-se um personagem para as pessoas. Acho que, basicamente, escolhi um nome idiota.”

Sob a nova alcunha, Tillman lançou Fear Fun (2012) e o elogiado I Love You, Honeybear (2015). Apesar de continuar fazendo baladas, majoritariamente folk, ele passou a pegar mais pesado – criticando o amor, a igreja e o casamento – e, também, a falar mais de si. “Você sempre fica com medo de se revelar, de ficar vulnerável”, diz Tillman, que considera ter feito um disco a respeito dele mesmo, ainda que o plano inicial fosse fazer um álbum sobre amor. Seguindo uma lógica própria, Tillman sentiu a necessidade de se desvencilhar do próprio nome para conseguir expressar artisticamente o que havia de mais íntimo nele. Como Father John Misty, ele passou a exibir uma barba proeminente, dando à aparência de negligência um ar de misticismo – confirmado pelas performances musicais excêntricas e entrevistas propositadamente confusas. “Não acho que você vai conseguir algum tipo de verdade com perguntas”, diz, sobre não gostar de dar entrevistas. “Nenhuma das respostas vai ser verdadeira. Você tem que encontrar isso na música. Senão, a arte não tem valor.”