Edição 110 - Outubro de 2015

Interesses Múltiplos

Chris Cornell comenta disco solo e as inesperadas influências folk
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Sem parar
JOHN DAVISSON
por DAVID FRICKE

Neste caso, eu sinto que mais é mais”, diz o cantor Chris Cornell, parte da banda veterana de Seattle Soundgarden, ao se referir ao relançamento de seu primeiro álbum solo, Euphoria Morning (1999), e do trabalho mais recente, o acústico Higher Truth. Este último foi inspirado pela turnê Songbook – um show de um homem só que Cornell começou em 2011. Ele agora volta para a estrada com Songbook, além de ter começado a trabalhar no próximo CD do Soundgarden.

Seu álbum novo abre com você tocando bandolim em “Nearly Forgot My Broken Heart”. Tem alguma influência folk que você passou todos esses anos escondendo?

Eu rejeitei a maior parte da música folk a que fui exposto nos anos 1970. Depois, mudei de ideia ouvindo Tom Waits, algumas coisas de Jim Croce e muito Cat Stevens. Um dos irmãos Robinson, do Black Crowes, me apresentou Nick Drake. Eu arrumei uma caixa de vinis e basicamente odiei – até chegar a Pink Moon (1972). O jeito dele de tocar violão e as composições são fenomenais.

Você sempre resistiu à comparação entre Soundgarden e Led Zeppelin. Mas a dinâmica do violão folk e do vocal hard rock em Higher Truth me lembra Led Zeppelin III.

Faz sentido para mim se você olhar para o alcance que tenho comocantor e como eu canto com um arranjo de violão. Como norte-americano, só posso ir até um certo ponto na direção do folk britânico. Mas tem um punhado de bandas – Zeppelin, Beatles, Pink Floyd, Killing Joke – em que penso, se estou escrevendo uma música. E eu sigo nessa direção em vez de sair correndo para o outro lado.

Você gravou seu álbum solo de 2009, Scream, com o produtor de hip-hop Timbaland. Chegou ao Top 10, mas a crítica foi brutal. Você considera que foi um sucesso ou um fracasso?

Foi um nobre fracasso. Um amigo da família tinha uma boa amizade com um primo do Timbaland. Ele disse: “O Timbaland quer fazer uma música com você”. Eu respondi: “Maravilha, vamos fazer um álbum”. Achei que ia demorar duas semanas, e que eu ia sair com um álbum foda. Foi o que aconteceu. Para mim, foi um sucesso. O fracasso veio de a gravadora tentar entender o que fazer com ele. As rádios que tocavam minhas outras músicas não quiseram tocá-lo.

Como foi que você lidou com a nostalgia da década de 1990 que veio com a turnê do Soundgarden com o Nine Inch Nails no ano passado?

Não tem jeito de ser uma banda com 30 anos, sair em turnê e fingir que não vai rolar nostalgia. Também foi importante que novos fãs de rock tenham descoberto os dois grupos ao mesmo tempo. Se você conversar com Trent Reznor, não vai ficar com a ideia de um cara que vive no passado. Eu gostaria que ele dissesse a mesma coisa a respeito de mim. Foi essa atitude que impediu que fosse a mesma coisa que o Whitesnake saindo em turnê com o Styx.