Edição 111 - Novembro de 2015

Britpop Revisitado

Damon Albarn comenta o retorno do Blur, David Cameron e Donald Trump
  • Imprimir
DE BEM
MATIAS ALTBACH/REX SHUTTERSTOCK
por SIMON VOZICK-LEVINSON

O Blur foi uma das bandas mais populares dos anos 1990 – em todo lugar exceto nos Estados Unidos, onde a maioria dos ouvintes os conhece como os caras do “woo-hoo!” graças ao único hit deles no país, “Song 2” (1997). O líder Damon Albarn comenta o misto de amor e ódio que sente em relação à volta com os antigos companheiros de banda e os planos para um novo álbum do Gorillaz, seu projeto mais bem-sucedido fora do Blur.

2015 marca o 20º aniversário da “Batalha do Britpop”, quando Blur e Oasis eram arquirrivais. Você acha que toda aquela competição foi boa para a música?

Foi certamente muito divertido. Usamos o fantasma da década de 1960 para cobrir o esqueleto da era moderna. Foi uma transformação estranha, um tempo de protótipos interessantes.

Você e Noel Gallagher fizeram as pazes, certo? Costumam se encontrar?

Sim, às vezes. Sempre gostei da companhia dele, é um cara hilário.

Seu musical sobre Alice no País das Maravilhas, Wonderland, estreará em Londres no fim de novembro. O que o atraiu nesse material?

Alice no País das Maravilhas me apavorava quando eu era garoto. Fiquei muito perturbado com a Duquesa, ela aparecia nos meus pesadelos. O musical trata mais sobre identidade: é muito fácil ter váriasidentidades, ser meio que passivamente esquizofrênico o tempo todo, por causa das redes sociais.

Você gosta de tocar com o Blur agora?

Ainda tento fugir disso como o diabo da cruz, para ser sincero, mas algo esquisito acontece assim que subo ao palco: me divirto muito. E, assim que saímos dele, digo: “Nunca mais”.

Em que mais você está trabalhando?

Estou iniciando um novo disco do Gorillaz. Até agora, está indo rápido e tenho bastante energia. Estou preso ao piano há anos. Quero o oposto disso.

O que você faz com seu tempo livre?

Se há um jogo de futebol, eu vou ver. Nesta semana, vou à Dismaland [instalação do artista Banksy que parodia a Disneylândia] para encontrar algumas pessoas.

O que você acha da história do livro [do empresário e político Michael Ashcroft] que alega que o primeiroministro britânico, David Cameron, “fez sexo” com um porco morto na época da faculdade?

Não confio nesses políticos, mas Cameron é mais legal agora do que antes de ter admitido que fumou maconha – isso não o prejudicou, né?

E quanto aos políticos norte-americanos? Você tem alguma opinião sobre Donald Trump?

Hum. Talvez a gente consiga fazê-lo cantar “Parklife” conosco!