Edição 112 - Dezembro de 2015

Mulher-Supernova

Grimes produz as próprias músicas, protagoniza festivais e desafia tudo que tem vontade
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DECIDIDA
THEO WENNER
por RACHEL SYME

Quando claire boucher, que compõe, grava e produz música sob o pseudônimo Grimes, decidiu mostrar suas axilas não depiladas em várias fotos promocionais, a equipe de relações públicas dela entrou no “modo crise”. “Pensei: ‘Pelos no sovaco! Sim!’”, diz Claire, de 27 anos. “Todo mundo na minha equipe falou: ‘Nem pensar, nada de pelos nas axilas, não’. Então, no final, mandamos as fotos ao Big Jay.” Big Jay é Jay Z, que a contratou para sua empresa de agenciamento, a Roc Nation, em 2013, pouco depois que o terceiro disco da cantora, Visions (2012), fez dela uma estrela em ascensão, a queridinha dos críticos e chamariz para festivais. Jay decidiu logo. “Ele falou: ‘Sim, vamos manter os pelos’”, Claire conta com um sorriso desafiador.

Aceitar o projeto Grimes significa aceitar a independência de Claire; ela gravou Visions sozinha em menos de um mês, trancada em um quarto apenas com o software GarageBand, remédio para déficit de atenção e qualquer comida que os amigos lembrassem de levar. Fez todas as batidas,cantou todos os vocais, tocou todos os instrumentos e desenhou a arte do álbum. Claire diz que fez o disco “em um ritmo psicótico” para cumprir um prazo definido pelo então empresário, mas mesmo nesse curto período criou algo desafiadoramente esquisito.

Quando ela fala, é como ouvir a internet existindo em voz alta. Abre uma aba de conversa depois da outra e você tem que acompanhar. Art Angels, o novo CD, é ainda mais maravilhosamente caótico do que Visions. Parte é puro pop: “California”, uma faixa que foi resultado de uma noitada regada a tequila, faz lembrar o trio country Dixie Chicks. “Flesh without Blood”, que ela chama de “faixa para detonar” uma falsa amiga, tinha tantas batidas que Claire conta que ela travava o computador.

Neste ano, ela lançou um “coletivo” chamado Eerie Organization para lançar o trabalho de outras musicistas. Em uma indústria em que as mulheres representam meros 5% de todos os produtores, o compromisso de Claire em produzir o próprio trabalho não é apenas essencial ao som que faz – é também um ato político. “Quando era adolescente, não me identificava com outras mulheres”, diz. “Para mim, foi muito difícil visualizar a carreira [de produtora], já que ela não existia.”

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