Edição 114 - Fevereiro de 2016

Dan Auerbach

O líder do Black Keys e do Arcs dá conselhos sobre paternidade e relembra o dia em que conheceu Lou Reed
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Dan Auerbach
Divulgação
por Brian Hiat

Em 2015, Dan Auerbach deu um tempo nos trabalhos com sua banda principal, o The Black Keys, para se aventurar em um novo projeto, o grupo The Arcs. O álbum de estreia do sexteto, Yours, Dreamily, muito bem recebido pelo público, rendeu à banda um convite para o festival Coachella, nos Estados Unidos, que ocorrerá em abril. Enquanto se preparava para o evento, Auerbach fez uma pausa para responder a algumas questões de temas variados.

Você trabalha muito e teve insônia a vida inteira. Já aprendeu a relaxar?

Às vezes tenho dificuldade em desligar o cérebro. Um quarto de comprimido de Xanax ajuda [risos]. E cozinho bem pra caramba, cara – faço café da manhã, almoço e jantar. Minha lasanha é digna dos melhores restaurantes. Preparo meu próprio caldo, minha própria massa, um molho de tomate ótimo. Uma das coisas mais difíceis [de estar] na estrada é que você nunca cozinha e acaba comendo muita coisa medíocre.

Você tinha um pai hippie bem tranquilo. O que aprendeu com ele que usa para criar seus dois filhos?
Meus pais sempre foram abertos, honestos e verdadeiros – meu pai falava palavrão o tempo inteiro. Eles não escondiam as coisas de mim e isso resultou em um bom relacionamento. Você se dará melhor ao simplesmente ser você mesmo – se for mentiroso como pai, as crianças vão perceber isso muito rapidamente quando crescerem. Já fui à casa de amigos que eram repreendidos pela mãe porque seguravam os talheres do jeito errado à mesa de jantar. Para mim, esse tipo de coisa sempre leva a criança a não querer passar muito tempo com a família depois de adulta.

Qual é a vantagem de praticar boxe todo dia, como você tem feito?
É realmente viciante, mas ainda estou cheio de raiva – talvez precise começar a fazer kickboxing. Não consigo extravasar raiva suficiente só com meus punhos, então vou tentar com as pernas também [risos]. Aprendi que os melhores boxeadores manipulam as sutilezas, como na música e na arte – são as pequenas coisas que separam o número 1 do número 10. Román González é meu preferido, porque é um boxeador puro. Tem mãos pesadas, o que é ótimo. O movimento lateral e o jogo de pés dele são incríveis.

Qual era seu livro favorito na infância e o que isso diz sobre você?
Era obcecado por um livro chamado My Side of the Mountain [do autor Jean Craighead George], sobre um menino que foge e vai viver na floresta dentro de uma árvore oca. Quis ter uma casa na árvore oca desde que tinha uns 14 anos. Na verdade, minha casa na árvore é meu estúdio – acabei de perceber que deveria batizá-lo com esse nome.

Qual é seu cômodo preferido na casa onde mora?
Tenho um que chamo de “biblioteca”. É o quarto do papai. Cheiros estranhos saem do quarto do papai, a lareira fica acesa e o cômodo é mal iluminado. O aparelho de som fica lá. Ouvimos discos gospel. Fico sentado lá e dou mamadeira ao bebê. O sol nasce daquele lado, então normalmente vejo o amanhecer ali.

Quem são seus heróis? Quem você ainda ficaria nervoso de conhecer?
Desde que conheci Lou Reed, não tenho mais nenhum herói. Ou, pelo menos, não quero conhecê-los, a não ser que eu esteja trabalhando no estúdio no mesmo nível que alguém como Dr. John. Ouvi muitas histórias sobre Lou do meu primo Robert Quine [guitarrista do Voidoids]. Um dia, o Black Keys tocou em um evento beneficente com Lou logo depois que Robert morreu, em 2004. Fui até o Lou e disse: “Estou tocando com o Black Keys aqui. Meu primo era o Robert Quine. Ele me contou o quanto te adorava”. Lou me olhou nos olhos, simplesmente me deu as costas e foi embora [risos].

Que hábito você gostaria de deixar de ter?
Hábito? Minha vida inteira é um hábito! Meu café, as coisas que como, o que visto. Se começar a deixar hábitos de lado, estarei mexendo com a Matrix – tenho medo de bagunçar o contínuo espaço-tempo. E estou feliz comigo mesmo, com o que tenho de bom e ruim. Todos os meus defeitos... que se dane. Não estou mais tentando ser perfeito. As pessoas ao meu redor gostam de mim por quem sou. Você pode ler quantos livros de autoajuda quiser, mas é quem é. Só precisa começar a aceitar isso.

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