Edição 115 - Março de 2016

Bob Odenkirk

Ator mostra ainda mais sua faceta dramática na segunda temporada de Better Call Saul
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Bob Odenkirk
My Sussman/Invision
por Stella Rodrigues

Essencialmente um roteirista e comediante antes de explodir com o papel de Saul Goodman em Breaking Bad, Bob Odenkirk ainda está profundamente envolvido com o personagem que o apresentou ao grande público. Ele interpreta Jimmy McGill, uma versão menos picareta de Saul, em Better Call Saul, atualmente na segunda temporada. Mas aproveitou a fama para se engajar na atuação com papéis mais variados e para retomar o projeto cult de esquetes Mr. Show with Bob and David, que consagrou tanto ele quanto David Cross (Arrested Development) dentro da comédia na década de 1990.

A segunda temporada está mais fácil, agora que não precisam travar a batalha de provar que a ideia de fazer um spin-off não era apenas uma tentativa de surfar o sucesso de Breaking Bad?

Sim! Os produtores se esforçaram para criar uma série preenchida de objetivos que não tinham a ver com Walter White ou metanfetamina. É um mundo muito rico. Ainda fico chocado quando me perguntam: “Quando vamos ver Saul Goodman?” Eu que questiono: “Quando você vai parar de ligar para isso? Não paramos de ligar para isso no segundo episódio, não tinha ficado bom àquela altura?” Saul era divertido, mas unidimensional.

Você já disse que não gostava de Saul. E de Jimmy? E de Gene (nome que o personagem assume nos flashforwards, em um período pós-Breaking Bad)?

Gosto muito! Gene é um pouco difícil de fazer porque é profundamente deprimido. Mas Jimmy é engraçado, ágil e esperto.

Tinha aspirações dramáticas antes de Breaking Bad?

Para ser sincero, não. A atuação sempre me intrigou e sentia que eu pertencia a um contexto dramático. Amava muito fazer comédia de esquetes, mas tenho uma energia mais séria. Ainda assim, nunca fui atrás, nunca fiz testes, e veio do nada. Foi uma inspiração de Vince Gilligan [criador de Breaking Bad e cocriador de Better Call Saul].

É tipo como se estivesse dando um golpe meio à la Saul entrando para esse mundo?

[Risos] Acho que é o contrário, estou dando uma de Jimmy e fazendo um esforço muito honesto. A diferença é que o mundo me dá crédito e algum sucesso.

Em 2015, os fãs do programa de esquetes Mr. Show tiveram as preces atendidas com a realização de quatro novos episódios, um pouco diferentes, que deram continuidade ao projeto depois de 17 anos. Seu senso de humor mudou nesse período?

Não, mas agora eu sou pai. Talvez esteja mais sensível. Sempre fui muito consciente, mas talvez seja mais ainda agora. Penso “de quem estamos rindo?” Deixo o esquete para trás se percebo que estamos ridicularizando alguém.

Sobre Albuquerque: quando estive aí para visitar o set da série, em 2014, o turismo girava em torno do universo de Breaking Bad. Continuam imitando a cena de jogar a pizza no telhado de uma casa? Já ouviu reclamações dos locais por causa da associação com drogas?

Parem de jogar pizza lá, pessoal, é um telhado de verdade! Tem ônibus circulando cheio de turistas que fazem passeios temáticos de Breaking Bad. Já passei de bicicleta ao lado do ônibus umas dez vezes e ninguém percebe! Sempre fico na dúvida se devo dar oi, mas gosto de ficar no meu mundo quando não estou trabalhando. E acho que a cidade não sente vergonha de ser associada às drogas porque o problema lá não é pior do que em outros lugares.

Não é só lá, o mundo ainda é obcecado por Breaking Bad, toda hora aparece gente que tatuou algo...

Gente, não façam tatuagens da série, tatuagens não são legais. E tem tanta, mas tanta tatuagem de Mr. Show. Existe uma garota
muito bacana do meio-oeste que cobriu uma perna toda com tipo 20 tatuagens de Mr. Show.

Uma das coisas mais curiosas em ...Saul é a doença do irmão de Jimmy, Chuck (Michael McKean), uma hipersensibilidade eletromagnética que o deixa neurótico. Você tem neuroses?

Compro livros. Bem mais do que posso ler. Não sei se é neuroticamente, mas é próximo disso.