Edição 120 - Agosto de 2016

O Retorno do Ícone

Depois de 45 anos, Arthur Verocai volta a fazer disco “eclético” com a ajuda de Mano Brown, Criolo e outros convidados
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por Lucas Brêda

Em 1972, Arthur Verocai lançou as dez faixas que escreveriam seu nome na história da música brasileira. Autointitulado, o disco de estreia saiu desacreditado pelo selo Continental e passou praticamente despercebido à época. “Falam que era muito avançado para aquele tempo”, comenta, de forma humilde, o arranjador e maestro. “Eu vou dizer o quê, que o disco é maravilhoso? Entre os meus pares, muita gente gostou, mas, no mercado fonográfico, acharam que era uma maluquice. Eu acho, na verdade, que o grande problema dos discos é que eles eram apenas amalucados. Acho que o meu tinha uma consistência musical muito forte.”

O passar das décadas jogou a favor de Verocai. O disco de 1972 foi relançado em 2003 (como um “clássico perdido”) e o nome dele hoje é respeitado mundialmente. A “redescoberta” do carioca aconteceu principalmente pelo hip-hop – só nos Estados Unidos, ele diz ter sido sampleado mais de 20 vezes, por nomes como Ludacris, MF Doom e Ghostface Killah –, e inspirou a idealização de um novo álbum, chamado No Voo do Urubu, lançado nesta quarta, 7, pelo Selo Sesc. Apesar de ser o quarto da carreira, foi somente agora que conseguiu seguir os moldes de Arthur Verocai. Encore (2008) “foi mais produzido pela gravadora”, diz. “Fiz o que queriam. Com esse agora, não. Fiz como tinha sido no primeiro.”

O trabalho começou a ser pensado há cerca de quatro anos, mas só virou realidade no último mês de junho. “O problema é que não sou cantor, eu canto de enxerido”, brinca ele, justificando a quantidade de convidados, entre eles Seu Jorge, Criolo, Danilo Caymmi e Vinícius Cantuária (O Terço). Uma das faixas, “Cigana”, é uma parceria com Mano Brown, dos Racionais MC’s. “Ele veio aqui em casa e deixou um tema”, conta ele, adiantando: “Dei só uma arrumada, porque a música ficava só em dois acordes o tempo todo. Mas a letra é muito boa.”

Ele adianta também que o álbum será tão “eclético” quanto seu “antecessor espiritual”, de 1972. “Se me pedir para fazer uma música fácil para alguém fazer sucesso, não consigo”, analisa Verocai. “A cada dia vem uma coisa na cabeça, uma música completamente diferente da outra. Meu estilo é este: não ter estilo. Não me amarrar ao soul nem à bossa nova. Um dia faço um troço, outro dia faço outro – e minha cabeça é essa.”

Ouça a íntegra de No Voo do Urubu abaixo.

Para celebrar o lançamento do álbum, o músico realizará dois shows nos dias 16 e 17 de dezembro, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Em ambas as ocasiões, ele terá a companhia de Mano Brown, Criolo e Luê Oliveira no palco. O CD estará à venda a partir desta quarta, 7, pelo preço de R$ 20. Ele poderá ser adquirido no site ou nas unidades físicas do Sesc.

Show de lançamento do CD No Voo do Urubu
16 e 17 de dezembro, às 21h
Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros, São Paulo
Ingressos: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia-entrada); R$ 15 (credencial plena)