Edição 120 - Agosto de 2016

Triunfo Confessional

Com um vocalista que transforma questões pessoais em poderosos refrãos, o The 1975 se tornou um dos maiores novos nomes do rock
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1975
Josh Goleman
por Patrick Doyle

Matt Healy enfia a mão em um saco plástico, acende o terceiro baseado em uma hora e o segura para fora da janela em um quarto de hotel em Nova York. “Fumo maconha como as pessoas bebem – como se não fosse nada”, Healy diz com seu leve sotaque de Manchester. Aos 27 anos, o vocalista do The 1975, grupo que faz show em São Paulo em setembro, lista outras compulsões: roer as unhas, checar o telefone, fumar cigarros sem parar e se masturbar. “Tenho dificuldade em ficar parado. Achava que realmente gostava da minha própria companhia, mas não era verdade. Só gostava de estar drogado.”

As músicas que Healy compõe para o The 1975 são um diário com questões pessoais (depressão, relações rompidas, um breve flerte com a heroína), enterradas em meio a sintetizadores, grooves pop-funk oitentistas e refrãos grandiosos. O segundo álbum, I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful Yet So Unaware of It (2016), estabeleceu o quarteto como a maior nova banda do Reino Unido desde o Mumford & Sons.

O 1975 começou como um grupo emo, no auge do gênero no começo dos anos 2000. Healy, o baterista, George Daniel, o guitarrista, Adam Hann, e o baixista, Ross MacDonald, passavam os dias depois da aula tocando em um galpão de propriedade dos pais do vocalista, os astros da TV britânica Tim Healy e Denise Welch. Depois de se formarem, batalharam contratos com gravadoras durante anos sob diferentes nomes – entre eles Drive Like I Do e The Slowdown –, antes que o empresário Jamie Oborne começasse a financiar os lançamentos do próprio bolso. “Sabia que eles fariam muito sucesso”, ele afirma.

Oborne tinha razão, não apenas pela música mas também pela personalidade de Matt Healy. Enquanto come uma sobremesa no bar do hotel, o cantor solta palavras duras para os astros pop atuais. “Nós nos ressentimos com muita gente porque nos importamos com o que fazemos. E as pessoas não se importam com o que fazem. Caso contrário, não estariam em uma banda de merda montada por alguém. Não seriam moldadas. Fico preocupado de não gostarem da minha banda, mas pelo menos defendo algo.”

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