Edição 121 - Setembro de 2016

Adeus, Criançada

Perdemos Elke Maravilha, uma das personalidades mais autênticas e queridas que já passaram pelo entretenimento brasileiro
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Adeus, Criançada
Estúdio Mandala/Divulgação

A internet foi tomada por fotos de anônimos e famosos ao lado de Elke Maravilha no dia 16 de agosto. Todos pareciam ter uma foto divertida e uma palavra carinhosa para dizer a respeito da artista nascida na Rússia que conquistou o Brasil como modelo, atriz e cantora (e que chegou a trabalhar como secretária,
tradutora, bancária, professora e bibliotecária, em diferentes momentos da vida).

Elke Maravilha morreu aos 71 anos. Ela estava internada no Rio de Janeiro para tratar uma úlcera duodenal. Batizada Elke Georgievna Grunnupp, a artista nasceu em São Petersburgo, na Rússia, mas veio para o Brasil quando tinha 6 anos.

O primeiro papel de Elke foi na comédia Barão Otelo no Barato dos Bilhões (1971), de Miguel Borges. Depois ela interpretou Hortência em Xica da Silva (1976), de Carlos Diegues, deu vida a uma stripper em Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), de Hector Babenco, e atuou no musical roteirizado por Chico Buarque Quando o Carnaval Chegar (1972).

A atriz começou a trabalhar na televisão em 1972, no programa do Chacrinha, sendo jurada no quadro “Cassino do Chacrinha”. Foi também jurada do Show de Calouros, com Silvio Santos, e comandou o talk show Elke, além de ter mantido o “Quadro Esotérico” no programa de Amaury Jr..

Além dos papéis que teve no teatro e no cinema, fez diversas participações e aparições em novelas. A atriz foi vivida nas telonas por Luana Piovani, no filme biográfico de 2006 Zuzu Angel. Quando morreu, estava nos cinemas com Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina.

Poliglota e extremamente inteligente, ela era reconhecida especialmente pela gentileza, personalidade particular e por sua luta pelos direitos LGBT. Uma das histórias mais lembradas é a de quando foi presa durante a ditadura ao rasgar cartazes que buscavam por Stuart, filho de Zuzu Angel (estilista para quem desfilava), como se estivesse desaparecido (havia sido morto pelo regime). Elke passou seis dias detida e teve a cidadania brasileira revogada.