Edição 122 - Outubro de 2016

A Flor e a Náusea

Marina Zumi tenta propiciar fuga do caos urbano com natureza e sonhos
  • Imprimir
por Lucas Brêda

Veja algumas das obras de Marina Zumi na galeria acima

Uma experiência comum a quem circula pelas grandes metrópoles do mundo é aquela de fuga repentina: quando o olhar escapa dos elementos ordinários do dia a dia e por alguns segundos o pensamento consegue fugir das preocupações e responsabilidades pessoais. Marina Zumi, artista urbana argentina radicada em São Paulo, tem como objetivo promover mais momentos como esse.

“Não sei se faço [arte] para mudar a vida de alguém, mas sim [para] gerar questionamento”, explica ela, com uma fala eloquente, apesar de confusa por misturar português, espanhol e, por vezes, inglês. “Acredito que o que tento fazer é transmitir aquele sentimento de quando e mesma estou em contato com a natureza. Agora, por exemplo: não tive tempo de ir à praia, fazer uma trilha ou pegar uma cachoeira. Mas quando reconheço o sentimento [proporcionado por esses lugares] eu me sinto bem, sabe?”

Especialmente nos últimos dois anos – desde que “acabaram as dívidas”, como ela brinca –, Marina anda atarefada. Nos últimos meses, esteve na Europa pintando muros e participando de festivais e, atualmente, tem em cartaz uma exposição chamada Entrega, que ficará entre outubro e novembro na Galeria Nicoli, nos Jardins, em São Paulo. A capital paulista, a propósito, foi onde Marina passou a se dedicar integralmente à arte. “Eu era designer quando a crise de 2008 bateu na Argentina”, conta. “Vinha pintando bastante e resolvi dar mais impulso nas coisas da arte, já que meu ‘business’ estava bastante complicado.”

No Brasil, ela morou por dois meses na casa de uma amiga e integrou o Coletivo 132. “Foi um grande impulso, me fortaleci com toda a arte e energia dos parceiros de coletivo. São Paulo tem muita cultura, em qualquer lugar. Estava fazendo arte de rua, mas tendo contato com poesia e outras coisas também. Foi uma abertura da mente.”

Marina é conhecida pelo uso frequente de roxo, azul, rosa, preto, verde e suas variações, retratando cenários idílicos, cheios de animais silvestres, céus estrelados e evocando a espiritualidade budista. Apesar de expor a natureza, as pinturas dela não chegam a ter caráter bucólico e apontam muito mais aos sonhos e às utopias de paz e serenidade.

“Por um instante, alguém pode, de repente, conseguir enxergar um pouquinho disso”, explica Marina, que sempre concorda consigo mesma ao fim de cada pensamento, emendando expressões como “É isso” ou “Isso mesmo”. Sem confusão – e em portunhol bastante claro –, ela sintetiza: “A natureza ganha sentido no meio da cidade”.

Acompanhe o trabalho de Marina pelo Instagram da artista.