Edição 125 - Janeiro de 2017

Disco Paulista

Aláfia prepara trabalho inspirado na pluralidade de São Paulo
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Disco Paulista
Felipe Gabriel/Red Bull Content Pool/Divulgação
por Gabriel Nunes

Foi no topo de uma colina escarpada, às margens de um colégio jesuíta feito de taipa de pilão, que nasceu São Paulo. Com o passar do tempo, o provinciano vilarejo transformou-se em uma megalópole caótica, saturada de mazelas sociais. No entanto, se o crescimento desenfreado ressaltou as desigualdades e os problemas urbanos, a ele também podemos atribuir a pluralidade cultural, responsável por fomentar o imaginário de artistas como Tom Zé, Adoniran Barbosa e Alcântara Machado. Pautado nessa “dualidade paulistana”, o Aláfia prepara para o primeiro semestre de 2017 um disco conceitual sobre a eterna “Pauliceia Desvairada”, cunhada no livro homônimo de Mário de Andrade.

Com uma abordagem lírica e sonora que se distancia dos antecessores, Corpura (2015) e Aláfia (2013) – calcados em questões como negritude, ancestralidade e nas tradições rítmicas do candomblé –, SP Não É Sopa apresentará texturas até então inexploradas pelo grupo, conforme ressalta Eduardo Brechó. “A essência ainda está ali, mas procuramos trazer novas possibilidades de som, como elementos da música eletrônica”, declara o guitarrista e diretor musical, que ao lado de Jairo Pereira e Xênia França também integra a tríade de vocalistas do coletivo.

Apesar das diferenças na feitura e concepção do disco, Brechó não interpreta SP Não É Sopa como uma ruptura completa em relação ao que ele e os companheiros produziram anteriormente. Para o artista, o próximo trabalho surgirá como um desdobramento natural dos dois álbuns anteriores, como uma “forma de apresentar novas vertentes do Aláfia”. “Não estamos pensando em mudar, em romper com o lance estético da banda. Estamos mostrando outra cara, mas a raiz continua a mesma”, declara. Entre as participações especiais aparecem Tássia Reis, Luísa Maita e As Bahias e a Cozinha Mineira.