Edição 125 - Janeiro de 2017

Em novo disco, The xx abraça veia pop, mas sem deixar de lado dores do coração

"Colocamos muito de nós mesmos ali. Acho que mesmo que as pessoas não gostem do álbum, continuaremos felizes com o que fizemos", diz Jamie xx
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por Gabriel Nunes

Batidas eletrônicas cíclicas, linhas de guitarra minimalistas, vocais sussurrados e letras que se insinuam nos ouvidos como pequenas epígrafes sobre amores e desamores cotidianos. Estas características foram inerentes aos dois primeiros discos do The xx, xx (2009) e Coexist (2012). No entanto, para quebrar o intervalo de quase meia década, o álbum sucessor, I See You, chega este mês fazendo sangrar a veia mais pop e expansiva do grupo, ainda que sem negar o intimismo do passado.

Concebido ao longo de dois anos, I See You foi registrado em Los Angeles, Nova York, Marfa (Texas), Londres e Reiquiavique, na Islândia, berço efervescente de bandas experimentais e de post-rock como Sigur Rós e Múm. “Foi divertido”, afirma Jamie Smith, que ao lado de Romy Madley Croft e Oliver Sim integra o The xx. “Foi quase como se estivéssemos de férias, só que trabalhando muito no disco.”


O novo conjunto de canções apresenta algumas mudanças no processo criativo em estúdio. Para Smith – que também atende pela alcunha artística Jamie xx – a transição no método de composição veio para salientar o lado mais dançante da banda, até então não muito explorado, além de promover uma espécie de aproximação estética em relação ao LP solo dele, In Colour (2015). “Quando entramos no estúdio para a primeira sessão, a única coisa que tínhamos em mente era que queríamos fazer algo bastante diferente dos outros dois e que soasse mais ‘ao vivo’.”

Outro ineditismo em I See You aparece na participação de Rodaidh McDonald na produção, que antes se concentrava inteiramente nas mãos de Smith. Conforme ressalta o britânico, a colaboração de pessoas de fora da banda foi substancial para que o trabalho ganhasse forma: “Em cada lugar que gravamos, convidamos mais gente para o estúdio, coisa que nunca havia acontecido. Deixamos que elas ouvissem e comentassem nossas ideias à medida que finalizávamos o disco”.

Às vésperas de retornar ao Brasil – desta vez como um dos headliners do Lollapalooza 2017 –, Smith revela estar mais confiante não apenas sobre o palco, mas também com as possíveis críticas em relação à banda abraçar uma sonoridade pop mais palatável e comercialmente aceita. “Tivemos ótimos e péssimos momentos gravando e produzindo”, revela. “Colocamos muito de nós mesmos ali. Acho que mesmo que as pessoas não gostem do álbum, nós continuaremos felizes com o que fizemos.”