Edição 125 - Janeiro de 2017

Poderes em Crise

Vigilantes faz paralelo entre “super-seres” e o conceito de justiça com as próprias mãos
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Poderes em Crise
Divulgação
por Ramon Vitral

Os 104 quadros presentes nas 32 páginas da estreia da revista Parafuso são ambientados em uma única esquina. A publicação é um projeto do quadrinista mineiro Jão, que abre o número zero com a HQ Vigilantes. O gibi mostra uma cidade povoada pelos chamados super-seres, na qual um roubo a uma loja de conveniências toma proporções inesperadas à medida que cada cidadão busca resolver a confusão usando seus próprios poderes. “Ideias como linchamento público e justiça com as próprias mãos são usadas como embrião dos quadrinhos de super-heróis, que, de certa forma, são os porta-vozes da linguagem [das HQs]”, afirma o autor. “É uma maneira de mostrar o contexto estranho e assustador em que vivemos, em que o mote ‘bandido bom é bandido morto’ se faz cada vez mais presente.”

O plano é lançar pelo menos mais três números da Parafuso em 2017, cada um com uma diferente HQ. No caso de Vigilantes, o formato grande e pouco usual (34 x 24,9 cm) da revista permitiu que os enquadramentos abertos usados pelo artista apresentassem vários detalhes e subtramas. “A ideia foi desenhar diversas vezes o mesmo cenário, [fazendo] um paralelo com obras da pop art”, conta o autor.

Neste lançamento, a proposta não se assemelha ao trabalho anterior do quadrinista, Baixo Centro, elogiado pela crítica especializada e focado em uma longa cena de perseguição em Belo Horizonte, mas em comum entre as duas HQs estão as influências explícitas do autor, que passam por gênios dos quadrinhos, como Moebius e Jack Kirby, e também pelos filmes de Quentin Tarantino.

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