Edição 132 - Agosto de 2017

Júlia Vargas adiciona doses de groove e regionalismo aos caminhos da MPB tradicional

A carioca gravou disco com participações de Ney Matogrosso e Pedro Luis
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Júlia Vargas
Marcos Hermes / Divulgação
por Paulo Cavalcanti

Júlia Vargas é uma das “novas” artistas que mais têm feito barulho em 2017. Pop Banana, o segundo disco solo da intérprete, lançamento do selo Porangareté (com distribuição da Biscoito Fino), é uma das melhores surpresas fonográficas dos últimos meses. Trata-se de um álbum refinado e cheio de detalhes, com a união de MPB tradicional, groove e sons regionais.

A artista de 28 anos, nascida em Cabo Frio (RJ), lançou o primeiro trabalho em 2012, autointitulado, que saiu apenas em versão digital. Em 2015, veio com um projeto ao vivo ao lado da trupe Os Barnabés. Mas é agora que ela sente que chegou seu momento. “Pop Banana foi um sonho que se tornou realidade. A produção e a direção geral foram feitas por mim. Era a hora de me afirmar”, exclama.

Júlia tem formação de bailarina. A carreira na dança era sua primeira ambição antes de se envolver com a música, integrando coletivos (ela também costumava se apresentar com o amigo Chico Chico, filho de Cássia Eller). Foi incensada por Ivan Lins e Milton Nascimento, que a convidou para shows conjuntos. Com o apadrinhamento decisivo do mineiro, a carreira da artista começou a avançar.

A principal marca do trabalho de Júlia é a diversidade de referências. “Eu sempre me envolvi com essa coisa de pesquisa sonora”, explica a cantora. “No meu disco de estreia, já estava resgatando o trabalho de Luli e Cátia de França, grandes compositoras que nem sempre são reconhecidas.” A mescla de sons segue em Pop Banana. Na nova empreitada, ela junta canções de nomes consagrados, como Aldir Blanc, Jorge Mautner e Tom Zé, a de novos compositores, a exemplo de Victor Lobo, Ivo Vargas e Claos Mózi – este último assina três músicas do trabalho, inclusive a faixa-título. “O disco tem canções de nomes conhecidos, mas que às vezes são chamados de ‘malditos’. A música que eles fazem foge do padrão e complementa as canções dos meus parceiros e amigos.”

Outro trunfo de Pop Banana é a participação de Ney Matogrosso e Pedro Luis, artistas de diferentes gerações, mas que já trabalharam juntos. “Vagabundo [álbum de 2004 que juntou Matogrosso e Pedro Luis e a Parede] é uma das minhas referências nesse disco, assim como Atento aos Sinais, do Ney”, Julia completa.

Quando Começou 2010
Para quem gosta de Alice Caymmi, Céu, Vanessa da Mata
Ouça “Pop Banana”, “Pulmão”, “Pedra Dura”

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