Edição 142 - Junho de 2018

Em ótima fase na carreira, Chris Pratt, de Jurassic World, quer mesmo ficar no meio do mato

“É quase inimaginável que 65 milhões de anos atrás essas coisas andavam pela Terra – e temos provas. Senão, não acreditaríamos.”, diz o ator de Reino Ameaçado
  • Imprimir
por Mariane Morisawa

Para quem não acha muito boa a ideia de um parque cheio de animais do tamanho de prédios – ainda mais aqueles geneticamente modificados, como em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015), de Colin Trevorrow –, Chris Pratt avisa que seria o primeiro na fila, a despeito do histórico da série. “Meu filho amaria ver isso, imagine, dinossauros de verdade! Nós vamos a zoológicos e ao Museu de História Natural, vamos a exibições de répteis. Não é tão diferente, eu acho. Claro que eles são muito maiores, então precisamos levar isso em conta”, ri o ator, durante um bate-papo com a Rolling Stone em Los Angeles. É bem provável que o ator esteja apenas vendendo o peixe, no caso, a sequência Jurassic World: Reino Ameaçado, dirigida pelo espanhol J.A. Bayona. Mas ele faz de forma tão simpática, meio com o jeito de Andy Dwyer, seu personagem na série Parks and Recreation, que é impossível não acreditar. Como quase toda criança, o filho dele, Jack, de 5 anos, fruto do casamento de Pratt com a também atriz Anna Faris, de quem se separou no ano passado, é fascinado pelos bichões. Mas o próprio ator não esconde que fica maravilhado com eles. “É quase inimaginável que 65 milhões de anos atrás essas coisas andavam pela Terra – e temos provas. Senão, não acreditaríamos.”

Depois da tragédia do longa anterior, quando um punhado de turistas acabou devorado, era de esperar que todos deixassem a ilha quieta. É o que fazem – por quatro anos. Aí, os deuses de Hollywood entram em ação, ameaçando a ilha com um vulcão. Owen Grady, o domador de dinossauros interpretado por Chris Pratt, está bem sossegado vivendo no norte da Califórnia. O relacionamento dele com Claire (a gerente do parque vivida por Bryce Dallas Howard) não deu em nada. “Eles perceberam que não eram compatíveis ou algo assim – nós fazemos alusão ao que aconteceu.” Só que Claire, agora integrante de uma organização de proteção dos dinossauros, vai procurá-lo, propondo resgatar os animais. Obviamente ela vai convencê-lo – ou não haveria filme. Se você pensou: “Mas por que raios alguém vai querer salvar esses bichos?”, não pensou sozinho. “A ideia de salvar os dinossauros, no mundo que criamos, é bem impopular, o que é demonstrado pelo Congresso decidindo não liberar verba para o resgate”, diz o ator, que completou 39 anos no dia da estreia do filme no Brasil, 21 de junho. “Mas Claire quer fazer o que o coração manda.”

Pratt tem uma relação próxima com os animais. Cresceu em Lake Stevens, no estado de Washington, em meio à natureza. “Sempre gostei de ficar ao ar livre.” Recentemente, virou fazendeiro, tem um rancho onde cria ovelhas, principalmente para extração de lã, e planta figos, maçãs, ameixas, legumes e verduras. “Podemos aprender tanto com a fauna: o ciclo da vida, compaixão, carinho, preocupação, cuidado, orientação. Amo ficar na minha fazenda, ensinando a meu filho essas lições valiosas, porque acho que a atenção é importante quando se trata do que comemos, do que vestimos ou dos bichos que estão à nossa volta.” Quando ele está lá, coloca a mão na massa. “Entro em um estado zen. É um tipo diferente de trabalho para mim. Não importa minha aparência, não tenho de dizer nada. Posso simplesmente trabalhar. Então, é um bom respiro para mim.” Mas faz questão de registrar uma ressalva: “É um luxo, porque não tenho de fazer o tempo todo. Posso aparecer e fazer só o que quero. E quando não quero mais simplesmente vou para casa. Tenho pessoas muito atentas, conscientes e talentosas gerenciando tudo para mim”. Desde que se tornou fazendeiro, a forma como o ator se relaciona com a comida melhorou. “Tirei uma alface da horta e comi e foi a primeira vez na minha vida que não vi uma verdura como um recipiente de molho de salada”, ri. E isso ajuda na hora de manter o físico – Pratt perdeu muitos quilos desde seus dias de Parks and Recreation para se tornar um dos astros mais requisitados nos filmes de ação. “Eu recomendo a todos tentar plantar algo, ver crescer e depois comer. É inacreditável. Não sei, talvez eu só esteja me tornando um velho chato. Hoje como três folhas de verdura e fico saciado.”

Analisando as mudanças físicas pelas quais passou, ele reflete sobre se tornar um objeto de desejo graças à aparência e como isso faz parte do trabalho, mas ressalta que não pode dizer que sabe como isso é para as mulheres – e elogia os movimentos como Time’s Up. “Espero que a mudança continue. Estou só assistindo a essas mulheres incríveis fazendo isso acontecer.” Sabe que é hora de ouvir e entender o outro lado. Gente boa, sem frescura, espontâneo, consciente dos nossos recursos e atento ao sexo oposto: assim é Chris Pratt, um astro para este século.

Recomendadas