Patas na Estrada: China estreia como escritor registrando jornada sob ponto de vista de Carlos, seu cão

“Teve um momento em que todo mundo foi dormir e fiquei sozinho com o Carlos. Foi a primeira vez dele sem coleira, correndo de um lado pro outro, e eu comecei a pirar naquilo, vendo o cachorro feliz da vida”, relembra

Igor Brunaldi Publicado em 26/07/2018, às 16h29 - Atualizado às 16h55

China e o cachorro, Carlos, que deu origem a todo esse projeto
Divulgação

Uma viagem de carro de São Paulo a Pernambuco, acompanhado da família e do cachorro, produziu a faísca necessária para que o músico e apresentador China finalmente se lançasse como escritor. O livro de estreia, Carlos Viaja, narra esse longo percurso na estrada, cruzando estados, pelos olhos de Carlos, o animal de estimação da família. “Chegamos a olhar uns hotéis para cachorro, mas pensei que seria uma puta sacanagem, a família toda indo e ele ficando. Então, ele acabou indo também”, conta o autor, que nem poderia sonhar que a decisão levaria a um livro.

“Quando estávamos no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, teve um momento em que todo mundo foi dormir e fiquei sozinho com o Carlos. Foi a primeira vez dele sem coleira, correndo de um lado pro outro, e eu comecei a pirar naquilo, vendo o cachorro feliz da vida”, relembra. Foi nesse momento que, com o que restava de bateria no computador, ele escreveu grande parte da história, ainda sem pensar na possibilidade de publicação. “Quando mostrei aos meus filhos e à minha esposa, eles disseram que eu precisava fazer um livro com aquilo.”

As rimas leves e contemplativas de China são acompanhadas por ilustrações da cantora Tulipa Ruiz, da qual ele diz ser fã há muito tempo. “Não tinha um plano B e nem queria! Conversamos uma vez só sobre o projeto, ela leu e mandou bala. Quando me enviou, já foi certeiro. Foi impressionante como Tulipa captou não só a onda do Carlos mas a onda da aventura inteira.”

China conta que rejeitou propostas de algumas editoras porque “queria que o livro tivesse um preço acessível, e que também tivesse uma tiragem [suficiente] para doar cópias a instituições e escolas públicas. Com a Impressões de Minas, eu consegui tudo isso, e foi ótimo.” Agora, com a obra já no mercado, ele conclui: “Vou me arriscar de novo nesse mundo, com toda certeza ”.