Edição 70 - Julho de 2012

Olimpo Brasileiro

Estes são alguns dos atletas que estão em Londres pelo ouro
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Olimpo Brasileiro
EDUARDO KNAPP/FOLHAPRESS Veja a galeria completa
por Murilo Basso

MAURREN MAGGI
Primeira dona de ouro olímpico individual do Brasil ainda quer mais

Quatro anos atrás, Maurren Maggi entrou para a história do esporte nacional. Nas Olimpíadas de Pequim, ela conquistou a medalha de ouro no salto em distância, tornando-se a primeira atleta brasileira a ser campeã olímpica em um esporte individual. “Com certeza foi o momento mais marcante de toda a minha carreira. Não por ser a primeira mulher, mas sim pela conquista pessoal”, diz a paulista de 36 anos.

Veja fotos dos atletas na galeria acima.

Mesmo assim, um dos maiores desafios da carreira de Maurren foi cumprir a suspensão referente a uma acusação de doping – poucos dias antes do Pan de Santo Domingo, em 2003, Maurren foi flagrada no exame e posteriormente suspensa, o que a impediu de disputar os Jogos Olímpicos de Atenas. “Foi uma sensação horrível. As pessoas te julgando, e você tendo consciência da sua inocência”, relembra. “O atletismo, como esporte, trata casos de doping de uma forma diferente e mais rígida.”

Hoje, os resultados recentes de Maurren indicam que ela é capaz de manter o título em Londres; no GP Internacional de São Paulo do ano passado, Maurren alcançou a marca de 6,85 m, uma das três melhores do mundo na temporada. No Pan de Guadalajara, no mesmo ano, ela ganhou medalha de ouro, com um salto de 6,94 m. “Estou bem, preparada. A rotina de treinos é intensa, mas a cabeça está limpa, hoje estou satisfeita com meu momento.”

O início da carreira, curiosamente, não foi no atletismo. Ela relembra: “Até os 15 anos eu fazia ginástica olímpica. E era boa!”, diz. “Mas cresci demais, estava alta e a professora disse que não teria futuro.” Ela não teve alternativa. “Aí o salto me escolheu”, completa.

Antes da disputa na China, Sofia, 7 anos, filha de Maurren, pediu insistentemente a medalha de prata. Após o ouro conquistado pela mãe, em rede nacional, a garota insistiu no desejo pela prateada. Para Londres, a menina não mudou de ideia: “Ela gosta da prata, não tem jeito!”, ri a mãe. “Se bem que com ela é mais tranquilo, ela vai gostar de qualquer uma que vier. Ela gosta mesmo é de medalha.”

OSCAR DOS SANTOS
Pés quentes do jovem meia buscam medalha de ouro inatingível para o futebol brasileiro

Aos 20 anos, Oscar dos Santos Emboaba Júnior tem um currículo invejável. Já conquistou pelo Inter, como titular, dois estaduais e uma Recopa – além de estar no grupo campeão da Libertadores em 2010. Na final do último mundial sub-20, marcou três gols na vitória contra Portugal. “Com a camisa das seleções de base, foi meu momento mais marcante. Hoje, vários nomes da sub-20 estão lá na principal, como Neymar e Lucas”, diz.

Oscar já enfrentou adversários ainda mais duros, como a perda do pai aos 3 anos e a novela judicial envolvendo seu antigo clube, o São Paulo. “Foram momentos difíceis. Embora os companheiros
tenham me apoiado, foi complicado ficar fora de jogos decisivos”, diz. “Na verdade, acredito que prejudicou mais o Inter. Fiquei triste.” Com o fim da disputa – o Inter de Porto Alegre pagou R$ 15 milhões para ter o jogador, maior transação da história entre clubes brasileiros –, está em paz para assumir a camisa 10. Afinal, já atuou como titular na última série de amistosos da seleção, marcando contra a Argentina. “Acho que cumpri bem meu papel. Agora precisamos dar continuidade no trabalho para a disputa dos Jogos Olímpicos.”

Ele não esconde a ansiedade com a convocação. Na seleção olímpica, reencontra Lucas, colega da época do São Paulo. “Continuamos amigos. Na base, ele era conhecido como Marcelinho. Continuo chamando -o dessa forma.” Para Oscar, a seleção já entra naturalmente pressionada, por ser a única conquista que falta ao futebol brasileiro. “Espero que possa ajudar o país a conquistar o ouro.”