A Festa Parece uma Vida

Com 30 anos de mudanças de planos, sucessos inesperados, brigas e amor, o Titãs tenta explicar como chegou até aqui

José Julio do Espirito Santo Publicado em 16/10/2012, às 15h05 - Atualizado às 18h13

<b>FORMAÇÃO CLÁSSICA</b> (A partir da esq.) Fromer, Reis, Gavin, Bellotto, Antunes, Miklos, Mello e Britto em 1987

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No início dos anos 80, não era incomum avistar três ou quatro titãs nas primeiras horas do dia, reunidos no balcão de alguma padaria paulistana, conversando, tomando a última ou forrando o estômago para enfrentar a potencial ressaca. Ao longo de 30 anos, a banda viveu do underground paulistano ao reconhecimento como uma das protagonistas do BRock, passando por episódios típicos da história de grandes artistas: sucessos inesperados, equívocos, brigas, perdas e ganhos. Alguns deles, motivos de fim de grandes bandas. De noneto a quarteto, o Titãs sobreviveu sem mudar sua essência. Ao contrário das padarias.

Em uma manhã atribulada de uma gigantesca padaria transformada em shopping center, Paulo Miklos aguarda por seu expresso enquanto lê esquetes que vai ensaiar à tarde para uma participação no Saturday Night Live brasileiro. Ele tira de letra. O atual segundo guitarrista dos Titãs é um sujeito afeito ao humor negro, que não perde a piada (mas tampouco perde o amigo). Ele brinca sobre a redução no contingente do grupo: “O projeto estava certo desde o princípio. A gente ia ficando mais leve com o tempo”.

A primeira baixa surgiu quando o Titãs estava prestes a ter um contrato assinado com a gravadora Warner para o disco de estreia, em 1984. “Quando pintou um compromisso, ele ficou meio arredio”, diz Miklos sobre a perda de ânimo de Ciro Pessoa. Membro original do grupo e parceiro na composição de dois grandes sucessos, “Sonífera Ilha” e “Homem Primata”, Ciro era figurinha carimbada na noite paulistana e decidiu não trocar os palcos escuros do Madame Satã e do Rose Bom Bom pelo frenesi dos programas de Chacrinha e Raul Gil, que logo viraram rotina nas atividades da banda. Oito contra um. Ele pulou fora. “A gente não sentiu tanto”, revela Miklos.

Sem deixar de lado a veia pop, a banda investiu em conceitos estéticos desde os primórdios. Muita gente conheceu o Titãs como os malucos de ternos coloridos, cabelos estranhos, revezando-se no vocal. “A gente foi associado a uma coisa que era o brega visto com um prisma da new wave”, o guitarrista Tony Bellotto explica. “Essa heterogeneidade sempre acompanhou a gente.” O cartão de visitas foi “Sonífera Ilha”, a música mais executada em 1984 – algo inesperado para os próprios Titãs. “Ela é esquisitinha”, Sérgio Britto diz. “Deu sorte que ficou bem resolvida.” Miklos vai além: “Um ska com uma coisa meio dodecafônica, com uma frase estranha, falando uma história para boi dormir. Não sei sobre o que fala a música até hoje”. Com o primeiro hit, o Titãs ganhou a confiança da gravadora para apostar nos três primeiros álbuns, mas a vendagem dos dois primeiros, Titãs (1984) e Televisão (1985), ficaria aquém das expectativas. Em 1985, enquanto a Blitz era o centro maior das atenções e o Ultraje a Rigor invadia todas as praias com um sucesso instantâneo, o Titãs enfrentava a primeira crise interna. E o fundo do poço foi no fim do ano, quando Arnaldo Antunes e Bellotto foram presos por posse de heroína.

Após várias experiências dolorosas, parece existir uma ideia subentendida e disseminada na banda: passado o perrengue, o Titãs sempre ressurge com mais força. E assim foi em 1986, quando o então octeto lançou sua obra-prima. Em Cabeça Dinossauro, o 19º maior disco nacional de todos os tempos segundo a Rolling Stone, o Titãs apostou as fichas que lhe restava. Virar o jogo era imperativo para a sobrevivência da banda. “A gente gravou a demo em dois dias”, Branco Mello conta, revelando a urgência de exorcizar a raiva, a angústia e a aura pop que os guiava até ali.

O Titãs viveu um período virtuoso, com uma série de três álbuns excelentes – Cabeça Dinossauro, Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987) e Õ Blésq Blom (1989) – que surpreenderam a crítica e cativaram ainda mais o público. O último deles prenunciava mais uma mudança no rock brasileiro dos anos 90. “Foi uma tijolada”, Miklos fala sobre seu disco preferido, que contava com uma introdução cantada por uma dupla de músicos de rua. “Na frente do palco da gente, estreando em Recife, estava todo mundo que seria do manguebeat, na primeira fila. [Fred] Zeroquatro [do Mundo Livre S/A] e a turma toda. Isso Chico Science quem me falou. Assim, aquele momento em que a gente pegou Mauro e Quitéria na praia e fez aquele disco foi um momento de laboratório para dar essa trombada estética que gera alguma coisa, do pop rock misturado com a música nordestina, com uma carga de brasilidade violenta e tal.”

No ano seguinte, veio a volta à distorção e ao rock pesado. Tudo ao Mesmo Tempo Agora foi tanto uma lapada musical quanto um tapa na carreira do Titãs. Na região mais verde e cara de São Paulo, em um bar aconchegante a poucos metros do Parque Ibirapuera, Sérgio Britto curte a tarde de rara folga no meio da semana. O titã tecladista conjectura sobre o álbum que mais recebeu duras críticas da imprensa. “Foi uma vírgula. Teve o mérito de fazer a gente não ter se levado muito à sério”, declara. “À medida em que a gente cresce e fica prestigiado, há o perigo de virar um pouco ‘madame’, de virar muito autocomplacente, achando que tudo que você faz é genial. Tudo ao Mesmo Tempo Agora pôs a gente no chão de novo.”

Mais uma vez, a tensão interna cresceu. Arnaldo Antunes não se sentia confortável com o rumo musical que banda decidiu tomar. Era a questão da brasilidade que Arnaldo não queria perder. “Aquele dilema de como ser brasileiro”, diz Miklos, “que é uma questão da minha geração.” Embora menos escatológica, Titanomaquia (1993) seria uma versão melhor produzida do trabalho anterior, segundo as apostas dos integrantes. Sete votos contra um. E Antunes foi viver a vida solo, ainda que com um vínculo de parcerias de composição com membros da banda que perdura até hoje. [O vocalista não respondeu aos pedidos de entrevista para esta reportagem.]

“A gente ficou muito inseguro, porque não sabia se a banda iria sobreviver sem ele, e que o público não aceitasse a saída”, declara Tony Bellotto, em um hotel na Avenida Paulista, em meio ao formigueiro humano da happy hour de sexta-feira. Enquanto aguarda a van que o levará para mais um show do Titãs em São Paulo, o guitarrista relembra a saída de Arnaldo, na época o integrante que era tido como “a cara da banda”. “Na época, ninguém compreendeu por que ele saiu em um tempo em que a banda já tinha feito tanto sucesso. Mas, como sempre, ocorre uma superação nos Titãs e a gente surge mais forte.”

Antes de seu novo auge, o septeto passou um período de descobertas pessoais. Junto com o produtor Carlos Eduardo Miranda, os integrantes fundaram o selo Banguela, que, de cara, se deu bem com o lançamento do primeiro álbum do Raimundos. Foi a época que surgiram outros trabalhos – o primeiro livro Bellotto, os primeiros álbuns solo e o projeto paralelo Kleiderman. “No trabalho solo, sempre fiz um esforço para me diferenciar dos Titãs. Não queria que fossem sobras do que poderia estar na banda”, conta Britto. “Sempre tive uma relação com essa coisa mais bossa nova, mais pop, mais lírica. Tenho dois extremos. Posso ser bem agressivo. Canto bem ‘Polícia’, canto bem ‘AA UU’. Mas esse meu outro lado ficou com uma certa carência, que supri com meus discos solo.” Entretanto, essa fase sabática dava espaço para rumores de que o Titãs tinha cansado de ser Titãs. A boataria findou com o lançamento de Domingo, em 1995, um álbum de relativo sucesso e que resgatava as origens pop do grupo.

O renascimento titânico de maior peso viria com o álbum de maior vendagem: o Acústico MTV (1997). Saindo da ilha de gravação após editar mais um episódio de seu programa, O Som do Vinil, o ex-baterista Charles Gavin relembra a época áurea de acordes desplugados: “Tocamos com uma enorme banda de apoio, com naipe de cordas e tudo o mais. Para mim, foi uma experiência engrandecedora”. O impacto foi tão grande que a banda investiu a mesma fórmula de violões e versões nos dois trabalhos seguintes, Volume Dois (1998) e As Dez Mais (1999).

A longa série de turnês consecutivas fez a popularidade do Titãs atingir picos, mas também sugou o tempo dos músicos. Sem parar para descanso, um disco com material inédito entrou em pauta. Quando A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana já estava sendo gravado, veio o momento mais trágico da história da banda: em 13 de junho de 2001, o guitarrista Marcelo Fromer morreu depois de ser atropelado por uma moto, enquanto corria. Após um luto de duas semanas, o Titãs resolveu continuar os trabalhos e finalizar o álbum. Mais uma vez abalada, a carreira do grupo continuou – mas durou bem pouco tempo como sexteto.

Um dia após uma apresentação com Arnaldo Antunes e o trio O Terno no Prêmio Multishow, no Rio de Janeiro, Nando Reis passa a tarde em casa, descansando e pensando nos preparativos finais para o lançamento de Sei, seu mais novo trabalho – o primeiro totalmente independente. Descalço, sentado no jardim, ele luta contra a secura dos últimos dias do inverno paulistano com água e um balde de gelo e fala de uma época triste e dos eventos que precederam sua saída do Titãs em 2002. “Eu não pensava em sair daquela maneira”, diz. “A gente vinha de três turnês seguidas que nos mataram. Depois, sofremos a morte de Marcelo. E, para mim, a de Cássia [Eller] foi outra cacetada. Eu não queria compor e entrar no estúdio. Acho que a gente tinha que pensar em um espaçamento maior entre os discos. Essa era minha tese de sobrevivência na banda. Falei: ‘Não vou entrar. Quero férias’.” Para a banda mais democrática do rock nacional, não havia espaço para caprichos assim. O grupo sempre falou mais alto que os integrantes individualmente. “Você tem que entrar, senão você está fora” foi a resposta que recebeu. Cinco contra um. “Fui demitido”, ele conclui sem o mínimo de constrangimento.

Ainda que tenha ocorrido certo estranhamento, potencializado pela mídia, o ex-integrante não considera que sua saída tenha sido a mais conturbada. “A saída do Arnaldo foi quase asperamente tratada como uma rejeição por parte da gente, só que estávamos vivendo um momento obscuro. Estávamos vindo de Tudo ao Mesmo Tempo Agora, quando [pela primeira vez] a imprensa nos ignorou. E indo para Titanomaquia que quase nos levou para um gueto. Éramos muito menos populares do que nos tornamos depois do Acústico. Dizer que minha saída foi mais conturbada é uma falácia.”

A vida seguiu em frente para o Titãs, mas com mais trabalhos ao vivo do que novas entradas em estúdio para material inédito. “Quando a gente perdeu Marcelo e depois, quando Nando saiu, fomos buscar a ajuda de músicos supercompetentes e talentosos”, explica Miklos. Emerson Villani e Lee Marcucci ocuparam a posição da guitarra e do baixo, respectivamente. “Foi muito legal, mas tinha uma coisa ali que não estava certa para a gente. Somos uma banda. Não podemos ser artistas acompanhados. A coisa ficou meio frouxa. A gente tinha que resolver aquele negócio.” Ele volta para trás até os tempos do Titãs do Iê-Iê para dar uma razão para o surgimento da banda. “A gente só se juntou porque era um bando de caras que cantava e tocava violão. Era a escória dos músicos”, brinca. “A gente foi obrigado a aprender a tocar para tocar as músicas que queríamos, que fazíamos, e que adorávamos cantar.”

Após a gravação de Sacos Plásticos, álbum mais recente do quinteto, produzido por Rick Bonadio e lançado em 2010, o Titãs mais uma vez enfrentou a saída de um membro. “Foi uma tentativa de fato de fazer um disco com energia nova. Tem muita coisa bacana que não foi notada”, lamenta Sérgio Britto. “Mas o Charles não estava muito a fim. Despende muita energia fazer uma coisa que preste, fazer uma coisa nova, para que as pessoas comparem com o que você já fez.” Gavin deixou o grupo e o baterista Mário Fabre foi contratado para ocupar o posto. O fenomenal primeiro álbum acústico, que havia possibilitado o maior ciclo de turnês que o Titãs fez, é também o disco preferido de Gavin – e trouxe uma consequência irônica, já que a vida na estrada minou o ânimo dele. “Fiquei exausto”, ele revela. “É legal para caralho, mas exige muito de sua vida pessoal. É assim que funciona. Minhas filhas estão crescendo, e eu quero ficar perto delas e de minha mulher. Fiquei 25 anos na banda – bodas de prata. Engraçado que eu nunca disse que saí dos Titãs. Sempre disse: ‘Eu me afastei’. Porque foi abrir mão de uma coisa importantíssima na minha vida. A gente não brigou. Não tem nenhum ressentimento.” O desligamento foi, de certa maneira, planejado entre ele e a banda para que o Titãs ainda o tivesse na gravação do disco. Não por isso foi menos sofrido. Gavin chega a fazer comparações com o alpinista Aron Ralston, cuja tragédia é retratada no filme 127 Horas. “Foi como ter que amputar a própria mão para continuar vivendo”, diz. “Em outras épocas, eu faria uma escolha diferente, preferiria ficar com a mão presa até morrer.” Miklos aponta essa e outras razões para o pouco impacto causado pelo disco: “Foi feito num momento difícil da indústria. E mais: a gente estava num momento de crise, querendo ser a banda que a gente é hoje. E quando o motor da banda não está muito a fim, você não vai muito longe. Foi um período difícil e de aposta”.

Neste ano, a aposta deu certo quando o Titãs foi seduzido a apresentar ao vivo a íntegra do álbum Cabeça Dinossauro em shows especiais. Só que essas apresentações foram um sucesso tão inesperado que obliteraram a turnê Futuras Instalações e o processo de composição para o próximo disco. No meio desse atropelo, o reencontro da formação clássica dos Titãs tomou forma.

Em casa, Nando Reis vislumbra o céu e pede chuva. Em seu olhar, uma ponta de expectativa surge quando a reunião de 30 anos do grupo vem à baila. Ele foi o último dos ex-integrantes a confirmar a reunião da formação clássica no evento comemorativo, marcado para os primeiros dias de outubro. Ele aponta para a grande mesa de jantar. “Nós sete sentamos ali para falar da comemoração. Fiz um jantar aqui”, conta. Foi no dia 13 de junho de 2011, data do aniversário da morte de Fromer. “Foi a primeira vez em que os sete se reuniram desde a morte dele. Foi uma coincidência incrível.” Reis olha novamente para o céu. “Mais do que no show, fico pensando nos ensaios. Quando juntam os sete, há dinâmica. Parece turma de escola”, ele diz, rindo. “Naquela noite, no encontro, esvaziamos uma dúzia de garrafas de vinho. Foi divertidíssimo, mas, ao mesmo tempo, aquela loucura que a gente conhece. Nem tudo termina bem.” Será a primeira vez que Reis voltará a se apresentar com o resto do grupo. “Fui apaixonado pelos Titãs. Por muito tempo, tudo que eu mais queria era estar com eles na estrada, em estúdio… Sempre juntos”, revela. “Hoje, lembrar de toda aquela época sensacional me faz achar meus últimos momentos na banda – aquela coisa chata – um troço menor.” Charles Gavin também vê mágica em um reencontro assim. “Quando estamos no palco, não são só as músicas que vêm. Vem tudo. As músicas têm aquele poder xamânico de resgatar uma série de coisas da época junto com elas.”

São três da tarde quando Branco Mello surge com um copo de chope na mão no segundo andar da gigantesca padaria. O atual baixista dos Titãs petisca uma bela porção de sashimi (sim, sashimi na padaria) enquanto fala sobre os registros de várias fases da banda, que viraram o filme Titãs – A Vida até Parece uma Festa (2008). “Na verdade, comecei o filme em 1986, quando comprei uma câmera de VHS”, explica Mello. “A gente começou a viajar pelo Brasil com a turnê do Cabeça Dinossauro e tudo era novidade. Sempre passávamos um tempo a mais para conhecer as cidades. Fomos para Manaus e visitamos igarapés. Em Natal, passeios de bugue. A gente tinha uma vontade de conhecer o Brasil que era demais.” O documentário teve seis anos de planejamento e muita caça de material de arquivo. “Muitas coisas, a mãe do Nando gravava num videocassete. Tem muita coisa que, se a gente não tivesse capturado da TV, como alguns Chacrinhas, não teria porque já se perdeu.”

Embora o filme não chegue até o momento atual, ele retrata o modus operandi do grupo, que não mudou muito. “Nossa relação não é muito profissional – para o bem e para o mal. A gente não funciona muito como uma empresa, mas talvez seja isso o que mantém a banda viva até hoje”, Britto declara. “Não gosto de ser hipócrita nessa coisa. Talvez, se todos nós pudéssemos fazer coisas bem-sucedidas individualmente, talvez não estivéssemos juntos. Não tenho nenhum problema em falar isso. Porém, as coisas não são assim, em branco e preto. Acho que a gente tem uma enorme dose de prazer e afinidade. E as coisas podem conviver. Por exemplo, meu trabalho solo obviamente tem uma dose disso, de descoberta e procura, mas também tem problemas e também tem momentos de não ter barato.”

“A gente chegou a um ponto da carreira com um material muito solidificado”, diz Bellotto. “E vem trabalhando com liberdade, sem dependência de nenhuma gravadora. Não tem ninguém pressionando para lançar um disco. E o próximo, mesmo que não tenha um sucesso comercial, tem que ter uma qualidade artística. A sensação de ter que renovar e se superar sempre esteve com a gente.”

O momento atual, para todos os Titãs (atuais e passados) é de aproximação. E também de “carpe diem”, motivo principal da longevidade do grupo. “A gente tinha pactos de que aquilo iria ser para sempre. Depois, a gente descobre que a vida não é assim, que você só vai ficar num casamento ou numa banda se aquilo tiver sentido na vida”, confessa Mello. “Parece chavão, mas cada momento tem que ser especialmente desfrutado. É muito melhor curtir isso do que ficar pensando, por exemplo, se em 2022, aos 40 anos da banda, a gente vai estar por aqui.