Edição 76 - Janeiro de 2013

Das Antigas para a Nova Geração

Ryan Gosling está em Caça aos Gângsteres, homenagem moderna ao estilizado mundo do crime dos anos 40 e 50
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por Bruna Veloso

Seria difícil saber o que esperar de um filme de gângsteres, livremente baseado em fatos reais, dirigido por um diretor pouco experiente, cujo único sucesso foi uma comédia sobre zumbis. Mas Ruben Fleischer, o cineasta em questão, fez, a seu modo, um filme do gênero para as novas gerações, como ele mesmo define. Com um grupo de mocinhos – nem tão bonzinhos assim – encabeçado por Josh Brolin e Ryan Gosling e um gângster interpretado por Sean Penn (na pele de Mickey Cohen, que realmente aterrorizou Los Angeles entre as décadas de 40 e 50), Caça aos Gângsteres usa a gravação digital sem se preocupar em fazer parecer com que o filme tivesse sido rodado no meio do século passado. As lutas, os efeitos nas cenas em que balas saem lentamente dos canos, tudo é mostrado como se fosse em um filme de ação atual, com um quê de história em quadrinhos. Foi esse fator, entre outros, que atraiu Ryan Gosling, um ator nem tão acostumado – ou afeito – a superproduções hollywoodianas. Mas, para Gosling, o que importa é manter-se envolvido com o cinema, qualquer que seja ele. “Os filmes são a minha vida, e a minha vida são os filmes”, ele afirma, em entrevista em Los Angeles.

Este não é um filme de gangster comum. Quais são seus aspectos favoritos nele?
Ainda não vi a versão final. Sei que está sendo comparado a grandes filmes do gênero, mas minha primeira experiência com gângsteres foi Dick Tracy. Era obcecado por ele quando criança. Quando li o roteiro, achei que não era tão cênico quanto Tracy, mas que tinha uma abordagem cênica em relação ao gênero. E amei Zumbilândia, achei que seria interessante ver a visão de Ruben desse universo.

Como foi o contato que vocês tiveram com as pessoas que fizeram parte da história real?
Algumas delas foram ao set, nos deram conselhos. Jerry Wooters, em quem meu personagem foi baseado, não está mais vivo, mas os filhos dele foram ao set. Eles foram ótimos, me contaram detalhes interessantes sobre o pai deles. É duro interpretar uma pessoa real. Eles entenderam que era um filme bem diferente da realidade.

Você se interessa por armas?
Na verdade, não. Quero dizer, sou do Canadá, então...

O glamour da Hollywood dos anos 40, 50, te atrai?
Eu amo aquele tempo. Quando era pequeno, morávamos perto de uma livraria, então todos os filmes que conseguíamos eram da livraria. Eram todos filmes meio velhos. Minha primeira paixão foram as Andrews Sisters, as três [risos]. Então, sempre foi um sonho trabalhar em algo assim.

Você sempre parece muito seguro nos papéis que interpreta. Isso é parte dos personagens ou você que transmite isso a eles?
Eu luto com a minha autoconfiança mesmo. Acho que isso que é ótimo em filmes independentes versus filmes de grandes estúdios. Filmes de grandes estúdios tendem a ser sobre pessoas confiantes e filmes independentes sobre pessoas inseguras. Quando eu estou confiante, vou lá e faço um filme grande. Mas nesse caso, quando você falha, falha em um nível muito maior – e aí perde a confiança e volta para o cinema independente, e tenta encontrá-la de novo. É meio que uma dança.

Você fala sobre seus papéis colocando personalidade neles, e acaba comentando mais sobre eles do que sobre si. Atuar é uma experiência muito pessoal?
Eu não sei bem o que estou fazendo. Não sou um ator treinado, ainda estou descobrindo. Quando meu tio veio morar com a minha família, e eu tinha uns 6 anos, descobri que ele era imitador do Elvis. De repente ele está colocando um macacão, joias, cantando no espelho. Levou meses, mas ele estava aos poucos construindo esse personagem. E, então, enquanto ele estava no palco, aparecia um monte de gente gritando para o meu tio – e ele tinha um bigode, uma marca de nascença e nenhum cabelo. Nada parecido com o Elvis. Mas entrava lá e virava o Elvis. Quando o show acabava tudo esmorecia, todo mundo voltava pra vida normal. Para mim, é melhor quando sua vida se transforma naquilo em que você está trabalhando, é difícil separar. Eu nunca sinto que me tornei o personagem, como atores de método dizem, mas o personagem se torna, sim, parte da minha vida.