Edição 79 - Abril de 2013

Entrevista RS: Billie Joe Armstrong

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por David Fricke | Tradução: Ana Ban

"Esta é com toda a certeza a única entrevista que vou dar a respeito disto", Billie Joe Armstrong diz e se joga em um sofá. no estúdio do Green Day, em Oakland (Califórnia). “Eu não quero ser o tipo de cara que fala sobre vício. A última coisa que desejo é que alguém sinta pena de mim.”

Armstrong, vocalista/guitarrista e principal compositor do Green Day, está começando o segundo dia de conversa sincera a respeito dos últimos seis meses que viveu: o ataque violento durante a apresentação do Green Day no I Heart Radio Music Festival, em Las Vegas, em setembro de 2012; o período de desintoxicação devido a alcoolismo e vício em remédios; uma turnê cancelada e o efeito desastroso sobre as vendas dos três novos álbuns do Green Day, ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré!; e as provações severas à amizade da vida toda com o baixista Mike Dirnt e o baterista Tré Cool.

“Eu nunca reavaliei essas coisas, de jeito nenhum”, Armstrong reconhece, enquanto arranca pedaços de um muffin. Há pausas frequentes e reflexivas na conversa, como se ele ainda estivesse tateando o caminho para escapar dos problemas. Também há uma impaciência saudável na voz enquanto reflete sobre as provações, o efeito sobre a família – a mulher, Adrienne, e os filhos adolescentes, Joseph e Jakob – e o futuro imediato. O Green Day voltou para a estrada em março, apresentando-se em grandes arenas da América do Norte, para então encarar estádios na Europa e festivais até agosto.

“Depois de nossa primeira entrevista, eu pensei: ‘Nós falamos tanto sobre vício...’”, ele diz. “Porra, eu sou maior do que isso, melhor do que essa merda. Isso é um incidente. Aconteceu. O resto é história. Tenho muita coisa importante a fazer. Tenho minha família para cuidar. Tenho minha banda. Sou uma pessoa de ideias loucas. Sempre vou ser. E isso vai encobrir qualquer coisa relativa aos meus problemas com vício.”

Usando um chapeuzinho, jeans preto justo com um rasgo no joelho e lápis de olho cor de carvão, Armstrong, que completou 41 anos em 17 de fevereiro, ainda tem a aparência de um jovem punk e se agita no sofá como tal; ele é o moleque capeta por trás dos maiores álbuns do Green Day: o primeiro sucesso em 1994, Dookie, e a ópera-rock de 2004, American Idiot. Mas o Armstrong que apareceu em Las Vegas em 21 de setembro, para o show I Heart Radio, era um desastre: estava movido a uma combinação arrasadora de comprimidos para ansiedade e insônia, somada a um longo histórico de bebida pesada.

No backstage, antes do show, “eu o puxei de lado”, Mike Dirnt lembra, “e disse: ‘Meu, você precisa parar de encher tanto a cara, porra’. E, no minuto em que pisei no palco, pensei: ‘Isto não vai ser nada bom’. Somos conhecidos como uma banda bem coesa. E ele nãoconseguia tocar a guitarra.” Em vez de fazer música, Armstrong despedaçou o instrumento depois de um discurso cheio de palavrões contra o evento e o tempo curto do set. Em 24 de setembro, Armstrong deu início a um programa de desintoxicação sem internação de um mês de duração.

Muitas dessas coisas remontam a 21st Century Breakdown [disco de 2009]”, Armstrong confessa. "Houve ataques enormes naquela turnê.” Em um show no Peru, em 2010, durante um discurso inflamado contra a tecnologia, Armstrong berrou: “Mal posso esperar para Steve Jobs morrer de câncer”. Jobs morreu um ano depois. “Foi uma coisa idiota de verdade”, Armstrong diz, se encolhendo. “Um monte dessa merda estava rolando.”

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