Edição 89 - Fevereiro de 2014

Após despontar no grupo Costa a Costa, MC DON L lança elogiado trabalho solo e planeja voos ousados

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Sonhos Amplos
AUTUMN SONNICHSEN/DIVULGAÇÃO
por Pedro Henrique Araújo

Um copo grande de café esfria na mesa enquanto Gabriel Linhares da Rocha, conhecido como Don L, relembra a própria trajetória. Aos 32 anos, ele trocou a ensolarada Fortaleza pela caótica São Paulo, e diz não sentir saudades da praia, já que está focado em um objetivo: fazer sua música tocar na maior quantidade possível de lugares. Autobiográfico nas rimas, cuidadoso com a produção e capaz de tirar o melhor de cada um dos parceiros musicais, Don L deixa clara a obstinação em um trecho de “Chips (Controla ou Te Controlam)”, da mixtape Caro Vapor – Vida e Veneno de Don L, o primeiro trabalho solo dele: “O compromisso é ser o melhor que eu posso”.

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Don L pensa grande; diz se inspirar no norte-americano Kanye West e não tem o medo, por vezes recorrente no rap nacional, de dizer que dinheiro é importante. O MC apareceu na cena do hip-hop nordestino com o grupo Costa a Costa na ousada mixtape Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência de Costa a Costa (2007), com rimas que poderiam ser embutidas no rótulo de funk ostentação. “O rap era mais patrulhado”, ele explica. “O Costa a Costa rompeu isso. Chutamos o balde dizendo ‘mano, tem que ganhar dinheiro mesmo, eu tô a fim é de grana’, e ninguém dizia isso.”

O rapper trabalhou em pizzaria, vendeu CD pirata e foi DJ em um bar na Praia de Iracema, endereço das primeiras rimas, oriundas ainda de uma vertente mais militante. “Acho que foi necessário”, explica. As letras amadureceram, assumiram traços mais complexos. Em alguns casos, elas têm um caráter cinematográfico, como “O Mundo É Nosso (Parte 1)”, “Enquanto Num Vim” (essas duas, com o Costa a Costa) e “Rolê dos Lokos” e “Morra Bem, Viva Rápido”, ambas do disco novo.

Sem nenhum tipo de receio, Don L deixa claro que quer dar passos largos. “Tem duas coisas que eu quero muito: grana e realização artística”, ele declara. “Primeiro, a realização artística; mas para isso eu preciso de grana. Eu tenho algo que falta no Brasil, que é vaidade artística. A galera no Ceará se contenta com pouco.”

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