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Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock

Titãs

Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock Universal
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por José Julio do Espirito Santo
22 de Junho de 2018
Agora soma- se à vasta discografia a dos Titãs uma ópera rock. Os músicos entram para o time de bandas estabelecidas que se arriscam com projetos que as tiram de sua zona de conforto. Por mais que Tommy, um dos primeiros trabalhos do gênero, tenha colocado o The Who em outro patamar e inspirado gerações de bandas de rock, empreitadas realmente bem-sucedidas nesse estilo se contam nos dedos das mãos. E por mais performáticos que os Titãs fossem em sua formação clássica, dada a democracia tirana então operada pelos oito integrantes, seria improvável que Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock existisse fora do contexto atual.

O trio formado por Tony Bellotto, Branco Mello, Sérgio Britto, apoiado pelo baterista Mario Fabre e pelo guitarrista Beto Lee, terceirizou um tanto para fazer seu 15º álbum de estúdio se transformar em um espetáculo de teatro com elementos de cinema. Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock tem três atos, criados por Marcelo Rubens Paiva, que despontou na década de 1980 com a autobiografia Feliz Ano Velho, e Hugo Possolo, um dos fundadores do grupo Parlapatões. Foi uma escolha correta para contar uma história factível de assédio, estupro e vingança protagonizada por três Marias. No espetáculo, elas são vividas por Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck. A história tem uma cronologia linear pontuada por interlúdios explicativos na voz de Rita Lee e as canções viram curtas narrativas com Branco e Britto se alternando no vocal principal.

A maioria das faixas segue a cartilha da ópera-rock, quando os instrumentos cedem a vez para um clima meio canhestro de coros dramáticos. “Ele Morreu” e “Pacto de Sangue” são necessariamente assim. Já outras vêm com o som característico dos Titãs. “Disney Drugs” acerta em cheio listando drogas sintéticas e personagens do afamado estúdio, e “Me Estuprem” fecha o Ato I com lirismo sarcástico ao subverter papéis de vítima e agressor. Outras, como “Canção da Vingança” e “De Janeiro a Dezembro”, até fazem lembrar o repertório do Kleiderman, banda paralela de Britto e Branco que gozou vida curta nos anos 1990. Elas poderiam estar em qualquer álbum do grupo e, entre as 25 canções de um álbum duplo, são a que salvam Doze Flores Amarelas – A Ópera Rock de não ser um simples adendo de um espetáculo teatral.