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Sinais do Sim

Paralamas do Sucesso

Sinais do Sim Universal
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por Paulo Cavalcanti
12 de Agosto de 2017
Os Paralamas do Sucesso marcaram o rock brasileiro nos anos 1980 com um molho rítmico cuja espinha dorsal era o casamento entre o reggae branco e o ska inglês. O apogeu veio no final daquela década, quando as fusões com ritmos brasileiros e latinos elevaram os músicos acima da categoria de meros artesãos pop. Desde então, eles lançam álbuns com variações da música que faziam naquele período da carreira. Até pouco tempo, o último CD de inéditas era Brasil Afora (2009). Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro poderiam seguir apenas na estrada, celebrando os pontos altos de uma trajetória de mais de 30 anos que prima pela consistência. Mas, sem arrefecer, eles acabam de lançar Sinais do Sim.

O interessante é que justamente agora, quando gente menos gabaritada se aventura em misturas sonoras por vezes duvidosas, o trio aparece com um trabalho mais convencional e, de certa forma, mais roqueiro. A produção também fez diferença: Liminha deu lugar a Mario Caldato Jr., e a mudança de mãos é perceptível. É um trabalho menos dançante, menos abrasileirado, sonoramente mais seco. As intervenções de metais e teclados foram abrandadas. Na maior parte do tempo, são apenas três músicos operando seus instrumentos, sem rodeios.

A faixa-título apresenta Barone impondo uma batida marcial e afirmativa. As alusões contidas na letra são românticas, mas o que ouvimos é uma mensagem de positivismo em relação à vida. O quase rap de “Itaquaquecetuba” dá sequência com uma homenagem ao município paulista, seguido pela sinistra “Medo do Medo”, uma das melhores do registro. Neste hard rock escrito por João Ruas e Capicua, com Herbert Vianna sobressaindo na guitarra, a letra paranoica foge do panorama mais ensolarado da banda.

A dobradinha “Não Posso Mais”, com refrão repetitivo, e “Teu Olhar”, de letra romântica, entregam a parte pop e radiofônica do trabalho. O rock retorna com “Cuando Pase el Temblor” e “Blow the Wind”, desaguando em um final familiar – o reggae “Sempre Assim”, que serve como afago aos fãs de longa data.

Sinais do Sim não avança ou modifica o sólido legado dos Paralamas, mas prova que, além de serem veteranos e sobreviventes, Vianna, Ribeiro e Barone ainda têm inspiração para criar canções de respeito.