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O Ato de Riscar um Palito de Fósforo

O Ato de Riscar um Palito de Fósforo

Artur Rodrigues Patuá
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por Maurício Monteiro Filho
12 de Setembro de 2013
Repórter policial estreia como contista com bom resultado

Em texto recente em seu blog, o jornalista Artur Rodrigues diz que “carrega um baderneiro interior, um pequeno anarquista”. Essa inquietação fica evidente em cada página da estreia do repórter como contista. Mas o grande trunfo do livro é a autocrítica. Ele sabe que seu pequeno anarquista tem um forte antagonista, também interior ou, como ele diz, “o sujeito no espelho, buscando diversão, alívio, conforto, felicidade, admiração, seja lá o que for”. É isso que humaniza a visão de Rodrigues sobre os objetos da ficção que escreve – toda ancorada na experiência que carrega como repórter policial. Oscilando entre o realismo quase naturalista e um surrealismo quase verossímil, Rodrigues é como seus personagens: alguém, como qualquer alguém, que age sob o signo do conflito. Não há julgamentos morais: apenas observação. Em “Motoqueiro”, o mais potente dos 18 contos, esse conflito atinge o auge: dois amigos, um traficante e um policial, perseguem uma dupla de motoqueiros matadores de inocentes na periferia. Quando os encontram, vem o choque – trata-se de fantasmas. O policial diz: “Essa porra dessa cidade tá matando a gente”. Ou serão nossos próprios demônios o que nos mata?