As 100 Maiores Vozes da Música Brasileira

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Elis Regina

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ALEXANDRE GOULART/DIVULGAÇÃO/ACERVO PROJETO VIVA ELIS

Por Maria Rita


"Minha mãe, absurdamente inteligente que era, soube ser repórter do seu tempo, de forma sensível, criativa e corajosa. Usou sua arte para acrescentar não apenas memória emotiva à vida das pessoas. Não se vê isso hoje em dia – até porque parece que ser engajado hoje é mal visto; os artistas estão engessados, preocupados demais com outras coisas, imagem, por exemplo. Eu inclusive. A sua compreensão das letras permitia sua interpretação ímpar – e isso também se dá ao seu senso crítico. Ela tinha essa necessidade de cantar, de se entender cantora, de se fazer ouvir, de falar.

Essa inquietação toda, num corpo de 1,50m, é de uma ousadia necessária nas artes. Buscava a perfeição no que fazia, não nivelava por baixo, não se contentava com pouco. E ela era, sim, uma musicista, com destaque especial pra sua noção de divisão, onde e como colocar notas curtas, onde sustentar uma nota, sempre pensando na história que a letra contava. Dinheiro, fama, números não a interessavam. Por isso que ela era – e continua sendo – levada muito a sério. Sempre foi nítida a sua entrega e respeito à arte.

Na minha humilde opinião, os discos Elis e Tom e Essa Mulher têm uma beleza e força peculiares. Saudade do Brasil e Transversal do Tempo são fundamentais. Cantar essas músicas está sendo uma experiência muito rica e emotiva, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional. O show que estou fazendo me reaproximou de minha mãe, depois de 10 anos sem permitir que ela se comunicasse comigo através de sua música, que foi a ferramenta que eu elegi para tê-la comigo de alguma maneira. Entenda: eu não a ouvia com frequência, até porque isso sempre doeu muito. No entanto, quando da decisão de me tornar uma cantora profissional, evitar ouvi-la a qualquer custo se fez necessário."