Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira

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A Tábua de Esmeralda - Jorge Ben (1972, Philips/Phonogran)

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Reprodução

Por Ramiro Zwetsch


Cada acorde reforça a certeza de que nenhum outro violão, em nenhum outro disco, soa nem soará daquele jeito. Jorge Ben perseguia uma harmonização específica, que evocasse as regras da alquimia – crença milenar que inspirou o músico a conceber A Tábua de Esmeralda, em 1972. Como chegou lá ainda é um enigma, mas o fato é que o músico desenvolveu uma afinação própria para o instrumento e inventou o seu jeito de tocá-lo. Sua batida nas seis cordas – revolucionária desde seu primeiro disco, Samba Esquema Novo (1963) – encontrava ali um novo horizonte harmônico, paisagem perfeita para a aura mítica que envolve o disco e guia o arranjo de faixas como “Errare Humanum Est" e “Hermes Trismegistro e Sua Celeste Tábua de Esmeralda". A interpretação e as melodias também inauguravam uma nova cadência – descompromissada, improvisada – e nos ofereciam letras de um delírio poético que beirava o surrealismo. Antes de seu lançamento, no entanto, a idéia de um disco inteiro sobre alquimia era vista como loucura pelos executivos da Phonogran. Foi preciso a ordem do gerente da gravadora, André Midani, para que a vontade de Jorge fosse atendida. Pois a fé não costuma mesmo falhar e o álbum transborda inspiração. A viagem começa com "Os Alquimistas Estão Chegando" e já envolve o ouvinte em uma atmosfera de psicodelia, com versos que evocam a narrativa de uma fábula. Em “Cinco Minutos", violão e vocal agonizam entrelaçados, envoltos por um arranjo de cordas épico, e traduzem o desespero da letra sobre um desencontro amoroso. Da arqueologia do absurdo de “O Homem da Gravata Florida" à ode ao alto-astral de “Eu Vou Torcer", Jorge evoca a tradição gospel (“Brother"), exalta a negritude (“Zumbi") e oferece sua leitura particular do universo feminino (“Menina Mulher da Pele Preta" e “Magnólia") – e acerta sempre. A analogia inevitável: em seu tributo à alquimia, o próprio Ben encontrou a receita de um elixir de efeitos inesgotáveis para o ouvinte se esbaldar em doses generosas.