Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira

  • 100
  • 99
  • 98
  • 97
  • 96
  • 95
  • 94
  • 93
  • 92
  • 91
  • 90
  • 89
  • 88
  • 87
  • 86
  • 85
  • 84
  • 83
  • 82
  • 81
  • 80
  • 79
  • 78
  • 77
  • 76
  • 75
  • 74
  • 73
  • 72
  • 71
  • 70
  • 69
  • 68
  • 67
  • 66
  • 65
  • 64
  • 63
  • 62
  • 61
  • 60
  • 59
  • 58
  • 57
  • 56
  • 55
  • 54
  • 53
  • 52
  • 51
  • 50
  • 49
  • 48
  • 47
  • 46
  • 45
  • 44
  • 43
  • 42
  • 41
  • 40
  • 39
  • 38
  • 37
  • 36
  • 35
  • 34
  • 33
  • 32
  • 31
  • 30
  • 29
  • 28
  • 27
  • 26
  • 25
  • 24
  • 23
  • 22
  • 21
  • 20
  • 19
  • 18
  • 17
  • 16
  • 15
  • 14
  • 13
  • 12
  • 11
  • 10
  • 9
  • 8
  • 7
  • 6
  • 5
  • 4
  • 3
  • 2
  • 1
7

Clube da Esquina - Milton Nascimento & Lô Borges (1972, Odeon)

  • Imprimir
Reprodução

Por Antônio do Amaral Rocha


Inaugurando uma nova sonoridade na música brasileira, um híbrido de música pop, Beatles e toadas, este álbum duplo é o marco definitivo de um movimento que começou a ser gerado no meio da década de 1960, quando o carioca Milton se mudou para Três Pontas e de lá alcançou Belo Horizonte, a fim de se preparar para o vestibular. Na capital mineira, ele passou a tocar num grupo de bossa nova, o Evolusamba, do qual participava o mais velho dos 12 irmãos da família Borges, Marilton, que o apresentou aos caçulas Márcio e Lô. E foi com essa dupla que Milton se enturmou, passando a compor em parceria. Márcio foi o primeiro letrista de canções de Milton desse período. Lô era mais interessado em estudar música (seu professor de harmonia era Toninho Horta) e passava horas ouvindo Beatles com outro amigo que viria a se juntar ao grupo: Beto Guedes. Quatro, cinco garotos juntos, violões, composições: nascia o lendário corner club, que nada mais era que um cruzamento das ruas Divinópolis com Paraisópolis, onde se encontravam para jogar conversa fora. Mas isso já é história. Em 1972, Milton, com a carreira em ascensão – já tinha participado de festivais no eixo Rio–São Paulo e gravado três álbuns –, convidou ninguém menos que Lô Borges para juntos dividirem o álbum duplo que seria intitulado Clube da Esquina. Na capa foi estampada a foto de dois garotos pobres, um preto e um branco (clara metáfora Milton/Lô). O conteúdo sonoro tinha bossa nova, canções com sonoridade beatle, toadas, rock progressivo, choro e jazz, numa miscelânea original e inventiva. O lançamento tornou-se um marco da produção musical brasileira, com criações fora dos moldes tradicionais da prática dominante. Ao mesmo tempo, assumia todo tipo de influência, com harmonias arrojadas, mas diferentes do padrão corrente da MPB. Além de inovar na sonoridade, as letras abordavam temas não muito usuais e faziam uma aproximação com a realidade sul-americana, como a imaginária cidade em “San Vicente". A propósito, a canção “Nada Será como Antes" era premonitória: depois disso, a MPB não seria mais a mesma.