Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira

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Construção - Chico Buarque (1971, Philips)

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Reprodução

Por Toninho Spessoto


Quinto disco de chico Buarque de Hollanda, Construção foi lançado num dos períodos mais sombrios da ditadura militar. O país vivia a falsa euforia (plantada pelo governo do general Médici) da conquista do tricampeonato mundial de futebol no México, enquanto centenas de pessoas eram torturadas nos porões pelo chamado “poder constituído". Justamente por esses fatos, o álbum marcou a mudança de postura do cantor e compositor diante de sua obra e, pode-se dizer, diante da vida. O “bom moço" de olhos verdes, já com passado de canções veladamente contundentes como “Pedro Pedreiro", agora se dispunha a pôr a boca no mundo. Mesmo fazendo uso de metáforas para driblar a temida Censura Federal, Chico ousava mais do que em trabalhos anteriores. Na desafiadora “Deus lhe Pague", ironizava a servidão ao regime em versos como “Por esse pão pra comer/por esse chão pra dormir/…/Deus lhe Pague". No dolorido samba “Construção", relatava a história do homem que, extenuado pela miséria que tinha de enfrentar, trabalhava até a morte. No “Samba de Orly", parceria com Toquinho e Vinícius de Moraes, falava quase abertamente da questão do exílio. “Quase", pois a canção teve parte da letra censurada, o que obrigou os autores a fazer alterações. No samba “Cordão", Chico aparecia mais desafiador ao dizer que se manifestaria livremente enquanto pudesse cantar ou sorrir. Em “Acalanto", mostrava desespero em versos como “dorme minha pequena/ não vale a pena despertar" e, mais adiante, abordava a esperança (“eu vou sair por aí afora/ atrás da autora tão serena"). Por outro lado, trazia lirismo exacerbado em “Valsinha", dele e Vinícius, ou lidava com a dor do amor em “Olha Maria", com Vinícius e Tom Jobim. Chico Buarque lançava, ainda, mão do recurso da versão ao retratar a vida de Jesus Cristo transposta para o universo contemporâneo na magnífica “Minha História", adaptação da autobiográfica “Gesubambino",de Lucio Dalla. Discurso direto – na medida do possível –, melodias magníficas. Peso e responsabilidade num dos discos mais importantes da música popular do Brasil.