Black Sabbath mostra poder de fogo diante de 70 mil pessoas em São Paulo

Banda liderada por Ozzy Osbourne se apresentou de forma impecável na noite desta sexta-feira, 11, no Campo de Marte, na zona norte da capital paulista
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por Pedro Antunes
12 de Out. de 2013 às 08:51

Cá entre nós, como não ficar arrepiado diante do Black Sabbath, ao vivo, com Ozzy Osbourne nos vocais? No primeiro show em São Paulo com a formação quase clássica – apenas o baterista Bill Ward ficou fora do disco 13 e da turnê -, a banda levantou o público de 70 mil como se fosse uma final de Copa do Mundo de futebol. Quando algum jornalista criou o jargão “deuses do metal”, usado e abusado em textos por aí, certamente foi para ser aplicado para descrever momentos como este, na noite desta sexta-feira, 11, no Campo de Marte, em São Paulo.

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Quando um “oô-oô” veio das caixas de som, com o palco ainda escuro, o público já delirava – e sequer parecia ser Ozzy que puxava o coro. Logo as luzes se acenderam quase 30 minutos antes do previsto, às 21h03, e o Sabbath surgiu na frente do público para uma histeria generalizada. Tratava-se, afinal, de um encontro que os fãs já não imaginavam ser capazes de ver, já que o vocalista saiu da banda em 1979 – o disco 13, com Ozzy (voz), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo), por sinal, foi o primeiro deles juntos desde Never Say Die!, lançado em 1978.

A abertura do Megadeth serviu como um aquecimento de luxo, mas não foi vista por todas as 70 mil pessoas que esgotaram os ingressos quatro meses antes, já que era difícil o acesso ao Campo de Marte – o metrô se mostrou uma boa opção, aliás. Dave Mustaine, líder da banda, mostrou tanta simpatia quanto virtuosidade na guitarra, exibindo sorrisos e solos velozes e poderosos. Quem estava presente recebeu a banda, em uma hora de show, de forma calorosa. “São Paulo é a cidade que mais fez barulho nessa turnê”, elogiou Mustaine.

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Foi mesmo quando a voz de Ozzy introduziu “War Pigs”, com o arrastado verso “Generals gathered in their masses”, que se percebeu o poder da voz do público – e a veneração pela banda ali no palco. Em uma sequência devastadora, o Sabbath enfileirou hits com “Into the Void”, “Under the Sun” e “Snowblind”. Esta última, aliás, relembra os tempos em que as drogas (nesse caso, mais especificamente a cocaína) eram comuns no cotidiano da banda.

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A empolgação só foi quebrada quando veio a primeira canção do novo disco, “Age of Reason”, uma música poderosa que relembra os bons tempos da banda, no início da década de 70, mas não possui tanta força quanto os hits lendários exibidos durante a apresentação. Ela, “End of the Beginning” e “God is Dead?”, todas de 13, quando executadas no show, pareceram ser o momento certo para algumas pessoas darem uma escapulida ao banheiro mais próximo ou saírem em busca de mais um copo de cerveja.

Com exceção disso, banda e público pareciam estar em uma sinergia incomum – veneração do lado de cá e disposição do lado de lá. É bonito ver Geezer dedilhando o baixo com vigor, enquanto Tony, que está combatendo um câncer, destila veneno através de acordes e solos endiabrados. Tommy Clufetos, baterista da turnê, espanca o instrumento com gosto e leva o Sabbath adiante.

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Ozzy, em si, é um show à parte. Conhecido como Príncipe das Trevas, ele não economizou em sorrisos ao conversar com o público, pedindo palmas e soltando, aqui e acolá, alguns simpáticos gritos de “uhuú”. O líder da banda, que cita o demônio em “N.I.B”, executada na noite de sexta, para o delírio do público (e que foi considerada satanista pela sociedade moralista na época), hoje pede diversas vezes: "Deus abençoe a todos".

O repertório do show privilegia os quatro primeiros discos da banda, Black Sabbath (1970),Paranoid (1970),Master of Reality (1971) e Black Sabbath Vol. 4 (1972). Em “Iron Man”, uma das músicas mais populares da banda, era possível ouvir o público mais claramente do que a voz de Ozzy ou a guitarra de Tony, tamanha era a força das vozes do público.

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O grupo seguiu o roteiro da turnê, sem tirar ou pôr, e finalizou a apresentação de quase duas horas em catarse, com “Paranoid”. Quando os Estados Unidos viviam a ressaca pós-Verão do Amor, como foram chamadas as manifestações pacifistas que tomaram conta do mundo em 1967, quatro garotos de Birmingham criaram as bases para tudo que conhecemos hoje como heavy metal: uma união de riffs poderosos e letras sombrias. Não é por acaso que os pelos dos braços insistem em se arrepiar diante do Sabbath.

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Ozzy e companhia seguem em turnê pelo Brasil. No domingo, 13, eles se apresentam na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, e depois vão até Belo Horizonte, se despedir do público brasileiro na Esplanada, na terça, 15.

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