Popload Festival 2014: Cat Power é xingada e abandona o palco durante show

Primeira noite do festival equilibrou apresentações energéticas e introspectivas
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Cat Power
Fabricio Vianna/ Instagram
por Luisa Jubilut
29 de Nov. de 2014 às 10:55

O Audio SP reuniu nesta sexta-feira, 28, fãs de Tame Impala, Cat Power, Rodrigo Amarante, Pond, Boogarins, Icona Pop, DJ Ulubenga e Fatnotronic para a primeira noite do Popload Festival 2014, em São Paulo. O festival, que intercalou shows energéticos com apresentações introspectivas, dividiu os oito artistas convidados em dois palcos.

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Pond, primeira atração da noite, frustrou o público que ansiava conhecê-los ao iniciar o festival com show contido, prejudicado por problemas no som. Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry e Julien Barbagallo passaram todo tempo contra uma forte luz colorida, que impossibilitava os presentes de ver o rosto dos integrantes.

POND no palco! ??????#poploadfestival #pond

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A banda, que divide músicos com Tame Impala, iniciou o setlist com “Whatever Happened to the Million Head Collide", primeira e melhor música do último disco do grupo, Hobo Rocket. "Giant Tortoise" e "Fantastic Explosion of Time", de Beard, Wives, Denim, vieram a seguir. Quaisquer tentativas de interação de Albrook com o público não surtiram efeito, já que era praticamente impossível compreender o que ele dizia. O jeito foi fazer graça se aproximando fisicamente dos fãs, dançando “sensualmente” à beira do palco. “You Broke My Cool”, ponto alto da apresentação, gerou um coro uníssono da plateia com o frontman.

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"Produção, produção!", gritou o vocalista e guitarrista Fernando “Dinho” Almeida, do Boogarins, ao subir ao palco e perceber que o microfone à disposição estava com problema. O músico, provocante ao extremo, simulou sexo oral no equipamento até receber um novo. “Agora sim!”, exclamou, segundos antes de entoar o hit “Lucifernandes”.


"Hoje, todo mundo vai ver show bom", sorriu. "A gente vai achar bem sensacional, e imagino que vocês também." Ao longo do repertório dançante, o grupo goiano também formado por Benke Ferraz (guitarra), Hans Castro (bateria) e Raphael Vaz (baixo) tocou "Erre", "Infinu" e, por fim, "Doce", finalizando a apresentação ao som de gritos e aplausos satisfeitos.

Rodrigo Amarante, próxima atração da noite, deixou o dançante de lado para introduzir um som angelical, doce. Acompanhado por uma banda norte-americana, que é também o grupo de apoio do amigo e música Devendra Banhart, o ex-Los Hermanos deu uma chance para casais – ou, quem sabe, para “pré-casais” – de se aproximarem e degustarem do clima romântico proposto por ele.

“Nada em Vão”, primeira da noite, foi tocada por Amarante em um pequeno violão branco, que assemelhava-se a modelos infantis. Após “Mon Nom”, “O Cometa” e “I’m Ready”, o músico se voltou para o piano para dar seguimento à apresentação. A primeira interação real com o público veio em seguida de “Cavalo”, faixa-título do disco solo, e “Fall Asleep”. “Pode acordar agora”, brincou, arrancando alguns risos. A este altura, boa parte dos presentes, por mais que fãs de Amarante, encontravam-se dispersos, conversando, talvez para justamente evitar ficar com sono. “Evaporar”, do Little Joy, foi providencial para trazer a plateia de volta a vida, que cantou junto ao longo de toda a música.

Rodrigo Amarante ???? #poploadfestival || Foto por @fabriciovianna1

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“Essa música não fui eu que escrevi, foi o Jorge Ben”, confessou Amarante sobre a próxima faixa no repertório. “O que me motivou a tocar esta música foi o significado. ‘Errare Humanum Est’ significa ‘Errar é Humano’. Mas não só quando você faz alguma merda na frente das câmeras. Este ‘errar’ vem de ‘errante’, do querer descobrir o desconhecido. Então, é ‘Sonhar é Humano’. Cachorro também sonha, mas isso é outra história.” Depois de “Our Glass”, o músico apresentou a “banda deliciosa” de maneira bem-humorada, apelidando o guitarrista, baixista e baterista de rosbife, fubá e todinho. A última da noite – para Amarante, é claro - foi “The Ribbon”. “Beijo no coração”, despediu-se.

Cat Power, surpreendentemente, surgiu com uma guitarra no palco. A ideia era que a apresentação desta sexta-feira, 28, fosse executava inteiramente no piano. Afinal, após o cancelamento da banda Beirut, ele também se apresentaria no sábado, 29, dia que ela optaria pela guitarra. "Maria", "Werewolf", de Michael Hurley, "Great Expectations" e "Fool" foram escolhidas para iniciar a apresentação.

O público, já menos agitado por conta do show de Amarante, logo procurou sentar à beira da pista e próximo aos bares e banheiros. Quando a cantora deixou a guitarra e se sentou ao piano, os fãs logo começaram a soltar “Shhhhhh” para garantir o silêncio total. “Me sinto muito privilegiada por estar aqui”, disse ela timidamente, antes de atirar rosas brancas à plateia. “Realmente muito abençoada.”

Mesmo sendo bem executadas, a pegada semelhante das faixas fez com que a apresentação soasse como “um show de uma nota só”. Gradativamente, o público foi se locomovendo para os bares, onde o barulho era tanto que tornava impossível ouvir uma palavra cantada por Chan Marshall em "I Don't Blame You", "The Greatest", e as covers "Paths of Victory", de Bob Dylan, e "Naked If I Want To", de Moby Grape. Durante "Metal Heart" veio o infeliz desfecho do show. Cat Power interrompeu a música para questionar se um membro da plateia havia mandado ela se foder. “A última vez em que alguém me disse [fuck you], foi um nazista no Tennessee. Então, você representa o seu povo”, respondeu, visivelmente irritada. “Eu gostaria de arrancar pedacinhos meus para dar a vocês”, disse rapidamente antes de deixar o palco. “E digam a ele para se foder.”

Kevin Parker, Dominic Simper, Cam Avery, (e, novamente), Jay Watson e Julien Barbagallo subiu ao palco do Audio SP ao som de “Can You Feel The Love Tonight?”, da trilha sonora de Rei Leão. Em meio a gritos saudosos, o Tame Impala iniciou o repertório de 95 minutos com “Why Won't You Make Up Your Mind?”. A uma e meia da manhã, a banda espantou o sono com “Solitude Is Bliss”, “Why Won't They Talk To Me?”, “Endors Toi”.

Que viagem, Tame Impala! ???????? #poploadfestival #tameimpala || Foto por @fabriciovianna1

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Luzes e ondas coloridas no telão ajudaram a criar a atmosfera lisérgica na qual o grupo atua. “Enlouqueça, São Paulo”, comandou Parker antes de “Elephant”, faixa mais inusitada e, talvez, mais popular do disco Lonerism. O vocalista – e “grande cérebro” do coletivo australiano – jogou água e garrafa nos fãs mais próximos ao palco. Depois de uma versão estendida de “Be Above It”, os integrantes interromperam a apresentação para assistir à nova imagem no telão, agora diretamente conectado com a guitarra de Parker, que aproveitou a tecnologia para formar desenhos, círculos perfeitos e emaranhados caóticos.

Na terceira apresentação deles em São Paulo, Tame Impala testou uma nova faixa, ainda sem título ou letras, com a plateia, que respondeu de maneira positiva. “Obrigada por nos receberem, São Paulo, vocês são lidos”, disse o vocalista, que celebrou terminar a longa turnê da banda na capital paulista. “Amanhã voltamos para casa [Perth]... Nós te amamos.” “Apocalypse Dreams”, “Feels Like We Only Go Backwards” e “Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control” colocaram fim a apresentação mais energética da noite.

Intervalo Gourmet
Entre uma apresentação e outra, muitos aproveitavam para conhecer a "praça de alimentação" improvisada em uma área nunca utilizada do Audio. Além de bar, o espaço abrigou quatro foodtrucks - Tostex, Só Coxinhas, Burger Lab e Holly Pasta. Em um canto, pouco chamativa, uma instalação do artista Muti Randolph, intitulada Heineken Cube, convidou o público a embarcar em uma viagem sensorial.

Veja as atrações do segundo dia do evento:
Popload Festival em São Paulo
29 de novembro:: The Lumineers, Metronomy, 2manydjs, Marcelo Jeneci, Cat Power, Mixhell e Nepal
Preços: R$ 400 (pista) a R$ 640 (camarote)
Audio Club - Av. Francisco Matarazzo, 694 - Barra Funda
Passaporte para os dois dias: R$ 720 (pista) a R$ 1,1 mil (camarote)
Venda e informações: Poploadfestival.com

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