Software de distribuição de música Neo Idea une físico e online

Ex-empresário de Michael Jackson veio ao Brasil para lançar produto integra nuvem virtual e pen drive com todo o conteúdo do artista
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Alcir Abuchaim
Divulgação/Olivio Netto/Vira Comunicação
por Stella Rodrigues
24 de Maio de 2012 às 20:06

Na tarde desta quinta, 24, em uma entrevista coletiva de imprensa realizada em São Paulo, foi lançado o Neo Idea, um novo veículo de distribuição de música. Participaram do evento Alcir Abuchaim (foto), CEO da empresa, Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão, e Dieter Wiesner, que foi empresário de Michael Jackson e hoje em dia é manager de Lucenzo, autor da mundialmente bombada “Danza Kuduro”.

A combinação do casting dessa coletiva pode soar estranha, mas foi explicada logo no início. Segundo Bruno, “o Biquini sempre foi pioneiro com internet, foi a primeira banda a ter um site, a divulgar coisas na internet, transmitir gravações etc”. O grupo é parceiro do Neo e um dos três artistas que lançaram seu conteúdo pela novidade. Além dele, Luzenzo (cujo cartão Neo não será distribuído comercialmente; a princípio, será lançado apenas a título promocional) e Jorge & Mateus já têm seus cards contendo todos os discos e DVDs da carreira. Gusttavo Lima também assinou contrato com a empresa.

A ideia está sendo desenvolvida há dois anos para entrar no mercado reunindo o poder de atualização rápida da internet e um dispositivo físico para que aquele single recém-lançado possa estar na mão do fã logo em seguida. “É uma solução amigável e simples para resolver questões da indústria musical”, afirmou o CEO Alcir Abuchaim. Ao mesmo tempo, o serviço serve como base de dados para os artistas conseguirem analisar melhor não somente quantos são seus fãs, mas também quem são, já que alguns dados básicos sobre a identidade do usuário são coletados.

Os vídeos vêm em HD e o conteúdo sonoro com qualidade superior à do MP3 comumente encontrado na rede. “A internet ainda é uma forma de comunicação muito suja, poluída, tem muita coisa inútil misturada. Fizemos um protocolo limpo, só para isso, o que agiliza as coisas”, explicou ainda o CEO. “Nosso protocolo permite que você baixe músicas com duas ou três vezes mais qualidade do que um MP3 e mais rápido. Você pode ouvir e ver os vídeos em qualquer aparelho com entrada USB. Ele é ‘semi online’, mesmo que não tenha internet, você está com o conteúdo na mão. Por outro lado, assim que você tiver uma conexão, é só plugar e ele estará atualizado.”

A curiosidade maior era se a presença de Dieter como um parceiro do produto significaria um lançamento com toda a obra de Michael Jackson pela Neo Idea. “Conhecemos o Lucenzo e o Dieter porque oferecemos esse projeto a eles. Estamos neste momento cortejando Dieter para criarmos algo com o Michael”, brincou Alcir. “Sou muito próximo da família Jackson, estamos vendo de fazer algo especial dele”, o empresário musical respondeu na coletiva. “Eu não sei o que vai acontecer com a Neo, mas se Michael estivesse aqui, seria o primeiro a querer experimentar. Ele sempre se empolgava muito com novas tecnologias”, falou posteriormente à Rolling Stone Brasil.

Há dois destaques da novidade. Um é que as muitas decisões a serem tomadas cabem ao artista. Ele pode optar por vender ingressos para seus shows com esse esquema (este é o segundo destaque), por exemplo. Mas também pode dispensar essa parte do serviço, não há regra. O comércio de bilhetes será feito por um sistema de radiofrequência chamado RFID: o cartão passa a valer como ticket e basta passá-lo na catraca da casa de shows, que lerá o código (até celulares já são capazes de ler RFID). Cabe ao artista também escolher se cada card pode comprar apenas um ingresso ou diversos (correndo, assim, o risco de ser vítima da atividade de cambistas) e até mesmo se existirão as tão abusivas taxas de conveniência. A princípio, o default é que cada ID compra seu próprio ingresso e que não há qualquer taxa embutida no preço. No futuro, o login do usuário poderá ser avaliado, a pedido dele, e cada um poderá saber quantas vezes viu cada artista ao vivo, quanto gastou com shows ao todo, etc.

O artista também será quem define o esquema de proteção contra cópias. Se ele quiser que a faixa se espalhe, pode liberar a cópia. Se quiser cobrar de cada indivíduo, poderá proteger o conteúdo. “Mas copiando ou não, com o esquema de IDs cadastrados de cada cartão a gente vai saber quantos copiaram e quem copiou de quem e ter um controle sobre isso, criar estatísticas”, explicou Alcir.

Acima de tudo, a questão mais importante de todas caberá ao artista – os organizadores da coletiva não quiseram dar nenhuma estimativa de preço. Cada músico/grupo estará, eles afirmam, completamente livre para cobrar quanto quiser. “A relação da Neo é com o artista, não com gravadoras”, esclareceu Alcir. “O Neo é só o veículo, a mídia alternativa.”

A iniciativa faz refletir sobre a questão da pirataria. Bruno, do Biquini, afirma estar completamente confortável com o compartilhamento de suas canções pela web, de forma que o Neo Idea do grupo é totalmente liberado. “Isso não existe hoje. Para cada tranca que você colocar, vão criar uma chave. O que considero mesmo pirataria e me incomoda é ver meu CD com uma capa xerocada, de plástico, sendo vendida a R$ 2 na mão de um mané. Isso para mim é pirataria. Sempre lutei muito para que tivéssemos valores muito baixos para a venda de música.”

“Não adianta tentar bloquear, colocar senha, RDM. Temos uma explicação de que não pode copiar no cartão, mas já que vão, que seja com boa qualidade”, disse Alcir. “Música será um serviço que o artista vai prestar para o fã. Não é a música que será vendida, mas sim o show, a rede social, a fidelidade do fã. A melhor maneira de acabar com a pirataria é liberando tudo.”

Como tudo hoje em dia, o Neo Idea não pretende sobreviver apenas de vendas. Até porque, por enquanto, os produtos não vão para lojas de varejo. O cartão do Biquini, por exemplo, será comercializado nos shows e a estratégia de não massificar será mantida por tempo indeterminado, para servir como uma espécie de versão beta. Porém, “cada espaço dentro do Neo pode ser vendido”, se anima Alcir. “Se o Biquini for fazer show no interior do Paraná, dá para vender o espaço da página deles para a pousada local, por exemplo, só naquele dia. Isso dá muito potencial.”

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