David Gilmour revive o espírito do Pink Floyd em show em São Paulo

O guitarrista tocou clássicos da banda em São Paulo no Allianz Parque; neste sábado, 12, ele retorna ao mesmo palco

Paulo Cavalcanti Publicado em 12/12/2015, às 09h20 - Atualizado em 05/03/2018, às 15h30

David Gilmour, ex-guitarrista do Pink Floyd, durante show no Allianz Parque, em São Paulo, em 2015
Camila Cara/Divulgação

O público brasileiro nunca teve a oportunidade de assistir a uma performance do Pink Floyd, infelizmente. O baixista e compositor Roger Waters esteve no país algumas vezes, inclusive apresentando espetáculos de discos clássicos da banda, como The Dark Side of The Moon (1973) e The Wall (1979). Naturalmente, os fãs gostaram, mas uma apresentação do cantor e guitarrista David Gilmour por aqui, sem dúvida, era um grande sonho entre os entusiastas pelo Pink Floyd. O músico começou a matar a vontade dos devotados com uma apresentação na noite da última sexta, 11, no Allianz Parque, em São Paulo.

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Por volta de 21h15, Gilmour subiu no palco ao som da instrumental "5 A.M.", de Rattle That Lock (2015), álbum mais recente dele. A faixa título e "Faces of Stone", também deste trabalho, vieram a seguir. Quando chegou a vez da clássica "Wish You Were Here", a primeira do Pink Floyd a ser tocada no show e, assim, também a primeira a ser amplamente festejada, deu para perceber a clara dicotomia da apresentação. As canções solo de Gilmour, embora de excelente qualidade e muito bem executadas, seriam mais adequadas para um teatro pequeno, tendo pouco a ver com um estádio lotado. E quando apareciam alguns dos clássicos gigantescos do Pink Floyd, o material solo dele de certa forma se apequenava.

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Mas isto não tirou o mérito de Gilmour, que em faixa solo como "A Boat Lies Waiting" e "The Blue" mostrou toda sua técnica de guitarrista e vocalista. Os solos dele ao vivo seguiram melódicos, cortantes e econômicos. Com uma banda que também contou com o célebre guitarrista Phil Manzanera (ex-Roxy Music) e o jovem saxofonista brasileiro João de Macedo Mello, Gilmour pôde se sentir bem à vontade e esbanjar musicalidade. No geral, o ex-Pink Floyd mostrou a habitual discrição britânica e falou pouco. Não disse nada de especial enquanto esteve do palco. Agradeceu, disse que era uma emoção tocar no Brasil em uma noite tão agradável e chegou a anunciar uma faixa ou outra.

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"Money", grande clássico de The Dark Side of The Moon, foi muito celebrada, embora ela tenha aparecido de uma forma estranha . Quando os sons de caixa registradora começaram a soar pelo estádio, a massa já se agitou. Mas a banda errou a introdução duas vezes e fez uma longa pausa até tentar novamente. Na terceira vez deu tudo certo.

"Us and Them" (também de The Dark Side of The Moon) e "In Any Tongue" seguraram o crescente pique do show. A primeira parte da apresentação encerrou com "High Hopes", faixa de The Divison Bell (1994), o derradeiro álbum de estúdio do Pink Floyd antes do lançamento de The Endless River, em 2014. A canção ganhou uma versão longa, languida e dramática. Foi a deixa perfeita para que a banda fosse descansar.

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Cerca de 25 minutos depois, o palco ganhou contornos psicodélicos, com uma iluminação extravagante anunciando "Astronomy Domine", canção que abre o primeiro álbum do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn (1967). Nesta época, Gilmour ainda não estava na banda, que era comandada pelo cultuado e trágico Syd Barrett. Gilmour seguiu homenageando o guitarrista e compositor visionário que ele substituiu com uma versão emocionada e emocionante para "Shine on You Crazy Diamond", um tributo a Barrett lançado em Wish You Were Here (1975). Foi um momento catártico, com os fãs berrando a letra a plenos pulmões. De algum lugar, em algum canto do infinito, Barrett deve ter gostado.

Ouça a faixa-título do novo álbum solo de David Gilmour.

Depois de "Fat Old Sun", do experimental Atom Heart Mother (1970), Gilmour tocou "On an Island", do álbum homônimo de 2006. Já a jazzy "The Girl in Yellow Dress" e "Today", ambas de Rattle That Lock, tiveram uma recepção apenas educada. "Sorrow" e "Run Like Hell", apesar de não serem grandes clássicos do Pink Floyd, logo foram reconhecidas e muito celebradas, especialmente a última, um registro de The Wall que sempre ganha vida no palco.

Depois de um breve intervalo, os sons de carrilhão invadiram o Allianz Parque enquanto o palco permanecia escuro. Era a hora da banda voltar com a marcante "Time", grande hino de The Dark Side of The Moon que fez muita gente chorar e voltar uns bons 40 anos no tempo.

O final ficou com "Comfortably Numb", power ballad perturbadora de The Wall. A execução dela também foi memorável. Gilmour a toca e canta com absoluta convicção e dramaticidade. Foi um final perfeito e até o impassível Gilmour se emocionou com o carinho e espontaneidade do público. O músico se apresenta mais uma vez em São Paulo neste sábado, 12, e ainda passa por Curitiba e Porto Alegre antes de encerrar a turnê brasileira.

Ouça um trecho da nova faixa de Gilmour, “Today”.

David Gilmour no Brasil

São Paulo (SP)

12 de dezembro (sábado), às 21h

Allianz Parque – Rua Turiassú, 1840 – Perdizes, São Paulo – SP

Ingressos: entre R$ 160 e R$1.200, compre aqui

Curitiba (PR)

14 de dezembro (segunda-feira), às 20h

Pedreira Paulo Leminski – Rua João Gava, 0 – Pilarzinho – Curitiba – PR

Ingressos: de R$ 480 (pista) a R$ 1.040 (pista premium), compre aqui

Porto Alegre (RS)

16 de dezembro (quarta-feira), às 21h

Arena do Grêmio – Av. Padre Leopoldo Brentano, 110 – Humaitá, Porto Alegre – RS

Ingressos: entre R$ 230 (cadeira superior sul) e R$ 17,5 mil (camarote para 24 pessoas), compre aqui