Decodificando o drama dos roteiristas de Star Wars

Entenda os motivos da Disney ao substituiu Michael Arndt por Lawrence Kasdan
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Lawrence Kasdan
AP
por PETER HOLSLIN
3 de Nov. de 2013 às 12:34

Se alguém sabe o quão difícil é escrever um roteiro para uma franquia extremamente popular, essa pessoa é o premiado roteirista Michael Arndt. No final dos anos 2000, quando ele assinou com a Pixar para fazer o roteiro de Toy Story 3, Arndt passou por infinitos rascunhos enquanto encarava uma imensa pressão do mundo exterior. Eventualmente, seus três anos de trabalho pesado valeram à pena e o blockbuster ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2010.

Infelizmente para Arndt, ele não será reconhecido da mesma maneira pelas suas contribuições por Star Wars: Episódio VII, o aguardado novo filme da celebrada ópera espacial. Arndt havia sido contratado há um ano para escrever o roteiro do projeto – programado para ser lançado em 2015 – mas acabou sendo substituído pelo diretor J.J. Abrams e por Lawrence Kasdan, colaborador de longa data da Lucasfilm.

Em um trecho da afirmação, a presidente da Lucasfilm Kathleen Kennedy exaltou o “excelente trabalho” de Arndt no desenvolvimento da história. Mas ela não deu nenhuma explicação a respeito dos motivos pelos quais Arndt não faz mais parte do projeto. O que quer que tenha acontecido, não há dúvidas de que Kasdan seja o cara certo para trabalhar com Abrams.

Kasdan, que trabalhou anteriormente no Episódio VII como consultor, estourou com o roteiro de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida. Depois, George Lucas chamou Kasdan para co-escrever o roteiro de O Império Contra-Ataca e . Aliás, uma das frases mais icônicas da história do cinema – “Não, eu sou seu pai”, a chocante declaração de Darth Vader para Luke Skywalker – é creditada ao diretor e roteirista de 64 anos.

De alguns anos para cá, Kasdan não tem se mantido muito na ativa: seu filme de 2012 Querido Companheiro, um drama independente sobre um cachorro desaparecido, foi seu primeiro em nove anos. Mas Kasdan terá muito trabalho pela frente próximos meses, quando ele e Abrams terão que correr com o roteiro do Episódio VII, que será rodado nos estúdios Pinewood em Londres. E só porque ele já co-escreveu o clássico Star Wars, não significa que será fácil realizar a tarefa nos dias de hoje.

Para entender o tipo de pressão e complexidade que acontece nos bastidores, considere a experiência de Arndt com Toy Story 3. Por mais diferentes que sejam as duas franquias, ambas têm fãs devotos, críticas afiadas e o apoio multibilionário da Disney, que engloba a Pixar e a Lucasfilm. Em uma entrevista de 2010 para o site Indiewire, Arndt descreveu fazer Toy Story 3 como sessões de brainstorming cinéticas com revisões cuidadosas, enquanto embarcava em uma colaboração épica com os criadores de Toy Story e fazia justiça ao legado de Woody e Buzz Lightyear.

“Você quer fazer valer o investimento emocional das pessoas nesses personagens”, Arndt disse à Anne Thompson, falando sobre as pessoas que cresceram assistindo às aventuras dos brinquedos antropomórficos. “O que significa que meus três anos na Pixar eram esse pesadelo desesperador repleto de ansiedade transbordante no qual eu estava com muito medo de decepcionar o mundo.” Por mais intenso que pareça, a exigência é maior comStar Wars. A história é mais longa e os fãs são mais perspicazes, prestam atenção aos mínimos detalhes do figurino.

Levando isso em consideração, se Abrams e Kasdan não estiverem pirando um pouco, provavelmente não estão fazendo o trabalho deles direito.

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