“É fácil dizer que o rock está morrendo”, diz o baixista Martin Turner

Músico que criou as bases do som do Wishbone Ash, inspiração para Iron Maiden e Judas Priest, vem ao Brasil para quatro apresentações
  • Imprimir
por Pedro Antunes
17 de Set. de 2012 às 18:52

Ali, do outro lado da linha, está o músico que criou as bases do caminho perseguido por bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Thin Lizzy e mais uma dúzia de outros grupos de rock clássico nascidos entre as décadas de 70 e 80. Para o inglês Martin Turner, hoje um senhor grisalho de 64 anos, o tempo passou rápido demais. Mais até do que ele mesmo foi capaz de acompanhar. “Eu ainda acho que sou o mesmo garoto de 20 e poucos anos”, diz o baixista e vocalista, rindo. “Mas os cabelos foram clareando. Isso é verdade.”

Leia textos das edições anteriores da Rolling Stone Brasil – na íntegra e gratuitamente!

Turner transforma a música na sua fonte da juventude. Ele deixou o Wishbone Ash em 1996, entre idas e vindas, mas nunca se afastou totalmente. Em 2005, criou o seu Martin Turner’s Wishbone Ash e é com eles que virá neste mês para o Rio de Janeiro (dia 21, Teatro Rival), São Paulo (22, Manifesto Bar, Belo Horizonte (23, Granfinos) e Porto Alegre (26, Teatro Ciee).

“Fomos no Brasil apenas naquela última reunião nossa, entre 1995 e 1996. O Rio de Janeiro era lindo. Lembro de São Paulo sendo uma cidade enorme, com muita poluição. Você sabe se vamos para uma cidade chamada Belo Horizonte?”, pergunta. “Isso, Belo Horizonte e Porto Alegre, ouvi coisas muito boas de lá.”

Músico clássico de formação, Turner levou seu conhecimento para a composição das músicas do Wishbone Ash. Eles adotaram uma formação com o que ficou conhecido como guitarras solo gêmeas. O baixo de Turner ocupava o espaço sonoro da guitarra base e, com isso, o grupo ditou moda com um som agressivo e solos mais musculosos.

A vinda do Martin Turner culmina no ano de comemoração das quatro décadas de lançamento de Argus, terceiro disco e maior obra-prima do Wishbone Ash. Com a união da delicadeza e cenários bucólicos do folk, experimentalismos progressivos e solos vigorosos do heavy metal e hard rock, o álbum será celebrado quase na íntegra por aqui. “E é o meu favorito”, opina Turner, que participou de 12 discos da discografia da banda. “Escrevi quase todas as canções, acho que é autêntico, é um disco popular, soa contemporâneo até hoje e ainda foi eleito o melhor do ano”, completa, relembrando da eleição da revista inglesa (e extinta) Sounds Magazine.

“A sonoridade [com duas guitarras gêmeas] veio por acidente. Eu costumava compor e cantar a melodia para os guitarristas. E acho que foi isso que fez a diferença”, conta o baixista.

Turner, quando criou o seu próprio Wishbone Ash, também quis revisitar o álbum ao vivo. Por sugestões do empresário, eles gravaram o ensaio com os guitarristas Ray Hatfield e Danny Willson e o baterista Dave Wagstaffe – que também virão ao Brasil – e o resultado se tornou Argus: Through The Looking Glass, lançado em 2008. “Foi difícil, mas também muito interessante regravar o álbum."

Turner era figura atuante no rock setentista, viveu as expansões de criatividade e evoluções da música. Esteve próximo de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, no fim dos anos 70 e início dos 80. A pergunta, então, é inevitável: o rock ainda está em evolução? “Esta é uma questão difícil... é muito fácil falar que o rock está morrendo. Mas acontece que, nos anos 70, estávamos descobrindo as coisas, o amor, tudo. Então, ao ouvirmos essas músicas, somos transportados até aquela época, para aquela sensação”, filosofa. “Vejo caras muito bons, como o Muse, por exemplo. O vocalista deles, Matthew Bellamy, é um músico clássico”, lembra Turner. Bellamy e Turner não dividem apenas as origens musicais, mas nasceram na mesma região de Devon, no sudoeste da Inglaterra.

Sentindo-se cômodo no papel de ídolo do passado, Turner não se preocupa em compor material inédito. Com o Martin Turner’s Wishbone Ash, ele apenas lançou discos ao vivo e a regravação de Argus. “Ainda vamos lançar um disco de estúdio. Mas não sei dizer quando”, diz. E existe pressão dos fãs para isso? “Não muito, na verdade. Nos shows eles pedem muito material dos anos 70. É isso que eles querem”, completa. Afastar-se disso, talvez seja como fugir da Terra do Nunca. É preciso respeitar quem prefere ficar.

Martin Turner's Wishbone Ash no Brasil
Rio de Janeiro
Dia 21 de setembro, às 19h30
Teatro Rival - Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia
Informações: 021 2240-4469
Vendas: na bilheteria ou no site Ingresso.com
Preço: R$100 a R$ 160

São Paulo
Dia 22 de setembro, às 20h
Manifesto Bar - Rua Iguatemi, 36 - Itaim Bibi
Informações: 011 3168-9595
Vendas: Ticket Brasil
Preços: R$60 a R$ 120

Belo Horizonte
Dia 23 de setembro, às 20h
Granfinos - Av. Brasil, 326 – Santa Efigênia
Informações: 031 3241-1482
Vendas: Site do Granfinos
Preços: R$80 a R$100

Rio Grande do Sul
Dia 26 de setembro, às 21h
Teatro Ciee - R. Dom Pedro II, 861 - Higienópolis
Informações: 051 3363-1111
Vendas: Ingresso Rápido
Preços: R$50 a 100