Franz Ferdinand já é de casa

Grupo escocês se mostrou à vontade com público paulistano em show animado nesta terça-feira, 23
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por Por Fernanda Catania
24 de Março de 2010 às 11:49

Atualizado às 11:48

Quem viu o Franz Ferdinand de 2006, no Brasil, provavelmente esperava nesta terça-feira, 23, por uma apresentação mais parada e previsível de uma banda indie nascida nos anos 2000. Já aqueles que viram o show restrito na casa nortuna The Week, no ano passado, talvez aguardassem assistir a um show incendiário. Ponto para a segunda turma. Comandado por um excelente frontman e um guitarrista supercarismático, o grupo mostrou sua melhor performance no palco da Via Funchal, em São Paulo, na noite quente desta terça.

O setlist não seguiu à risca a sequência de músicas tocadas nos shows anteriores da turnê brasileira (Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília) e contou com faixas presentes nos três álbuns da banda: Franz Ferdinand (2004), You Could Have it So Much Better (2005) e Tonight: Franz Ferdinand (2009).

Após a apresentação da banda Anacrônica, que saiu do palco às 21h40, o coro "Franz! Franz! Franz!" tomou conta da casa de shows. Mas a apresentação do quarteto escocês só começou às 22h20. O grupo, que estava previsto para subir ao palco às 22h, compensou o tempo de atraso começando com a agitada "Bite Hard", presente no último disco.

A banda ainda estava contida durante as primeiras músicas, como "The Dark of the Matinée", "No You Girls" e "Can't Stop Feeling". Mas nada como um público efervescido para descontrair o quarteto. O que começou com alguns pulinhos e breves deslocamentos, explodiu em uma performance extremamente animada de "Do You Want To?", um dos maiores hits do segundo CD.

O vocalista Alex Kapranos não parava de sorrir e pular, enquanto o guitarrista Nick McCarthy se aproximava do público, ao mesmo tempo em que tocava e apontava sua guitarra para a galera do gargarejo. A crescente interação da dupla foi mostrando a verdadeira desenvoltura deles no palco, para alívio geral dos presentes, que, neste sentido, não poderiam contar com o (des)ânimo do baterista Paul Thomson e do baixista Bob Hardy.

A presença dos fãs se mostrou evidente em uma das mais lentas da noite, "Walk Away", que contou com o momento clichê "mãos-para-lá-e-para-cá". Kapranos até parou de cantar, com um sorriso estampado no rosto, para ouvir a multidão cantarolando em uníssono.

Como era de se esperar, "Take Me Out" foi um dos momentos mais animados do show. Só foi preciso o primeiro acorde de guitarra para o público entender qual música viria, respondendo com repetidos pulos e palmas. O vocalista, bastante empolgado, dava gritinhos, caia no chão com a guitarra, tocava na mão dos sortudos da grade e posava para fotos, atitude que se repetiu várias vezes.

O líder da banda, reafirmando que estava se sentindo em casa, falou as palavras que aprendeu em português, aproveitando para interagir com os presentes. Kapranos dizia a todo momento "obrigado", "tudo bem", e até ousou um "e aí, mano?".

"This Fire" foi a faixa mais explosiva da noite. Apesar de Kapranos aparentemente ter tido um problema com o retorno do ponto do ouvido, em 5 minutos já estava pulando e se jogando no chão com Nick. Os dois permaneceram ajoelhados fazendo um solo de guitarra em conjunto.

No final de "Outsiders", a banda repetiu o que fez na apresentação de 2006, no festival Motomix, em São Paulo: outra bateria foi colocada no palco e, então, todos os integrantes se juntaram para tocar o instrumento. Na última vez, eles fizeram isso junto com membros do Art Brut, Radio 4 e a cantora Annie.

Depois de jogar as baquetas para o público, o grupo saiu do palco. Na volta, antes do bis, Kapranos agradeceu aos fãs brasileiros e a recepção no Brasil. "Esta é a quarta vez que viemos para o país e vocês estão cada vez melhores, melhores e melhores. Obrigado".

Antibis
"Essa música é para os nossos amigos de São Paulo", disse Kapranos, antecipando o cover de "All My Friends", do LCD Soundsystem. No entanto, a versão era morna e bem diferente da original. O público, que estava eufórico durante toda a noite, desanimou. De duas uma: eles não reconheceram o hit, de tão diferente que estava da versão do LCD, ou a culpa foi da lentidão da música, desalinhada com o resto do show.

E foi assim até o fim. O que era para ser um bis energético de trinta minutos se tornou o momento mais desanimado da noite. A banda, aparentemente cansada (talvez pelo esforço na bateria), perdeu um pouco da boa forma mantida durante toda apresentação.

Kapranos e McCarthy bem que tentaram forçar uma empolgação, subindo nas caixas de som, mas as músicas não ajudaram. Depois de "All My Friends", vieram "Michael", "Darts of Pleasure", "40'" e, por fim, "Lucid Dreams". As versões das cinco canções estavam mais lentas que as originais e não eram os maiores hits do repertório da banda.

Para encerrar esta turnê no Brasil, o quarteto tocou a parte eletrônica final de "Lucid Dreams" por quase 10 minutos, como na The Week, em 2009. Então, um integrante saiu por vez, enquanto os outros permaneciam tocando no palco. No fim, sobrou apenas Paul Thomson, que deu um show de bateria.

Apesar de um desfecho decepcionante, os aplausos eufóricos e saudosos do público, em despedida da quarta vinda do Franz Ferdinand ao país, mostraram que a apresentação de quase duas horas superou as expectativas e que as portas continuam abertas para quando o quarteto quiser voltar.

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